Moro pede presidente íntegro e honesto

Moro pede presidente íntegro e honesto

Juiz afirma, em palestra a delegados da Polícia Federal, que as eleições são o momento para que os cidadãos debatam o futuro do Brasil. Para ele, o próximo ocupante do Planalto deve ser "exemplo de integridade"

» Leonardo Cavalcanti Enviado especial
postado em 24/08/2018 00:00
 (foto: ADPF/Divulgação)
(foto: ADPF/Divulgação)


Salvador ; Durante simpósio de combate à corrupção, promovido pela Associação dos Delegados da Polícia Federal, o juiz da 13; Vara Federal, em Curitiba, Sérgio Moro disse ;não poder acreditar que as pessoas elejam alguém que não sirva de exemplo;. A presença do magistrado no evento na capital baiana foi marcada por uma proibição judicial de manifestações por parte de correligionários do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Sem citar nomes de políticos, Moro afirmou que as eleições são o momento para discutir o país. ;O presidente tem de ser exemplo de integridade, honestidade. Por isso, o voto é essencial;, disse Moro durante a palestra, realizada em um shopping em Salvador. No dia anterior, o juiz Carlos Cerqueira Júnior, da 6; Vara Cível e Comercial do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), proibiu em caráter liminar a realização da manifestação em defesa de Lula.

Moro recebeu a medalha de Tiradentes e foi aclamado pelos delegados presentes ao evento. Alguns gritaram: ;Orgulho nacional;. Segundo o magistrado, apesar de avanços das investigações nos últimos anos, nem todos os crimes são punidos ou provados pela própria complexidade. ;Não estou no debate político, mas é preciso um compromisso do político com o combate à corrupção, um compromisso com as políticas públicas, afinal, não pode haver retrocessos.; Segundo ele, os políticos do Executivo e do Legislativo deram respostas insuficientes para a corrupção, mesmo depois ;dos avanços da Lava-Jato;.

Para Moro, a corrupção, mais do que recursos desviados, representa uma quebra de confiança na ótica da sociedade. ;O maior dos males é o impacto gerado na credibilidade. Há quem veja com saudosismo o período militar por uma desilusão com o regime democrático;, disse Moro, recomendando que as pessoas se perguntem até que ponto cada candidato está comprometido com o combate à corrupção. ;Quando há um risco ao regime democrático, as instituições têm de funcionar. É o chamado ;império da lei;.; Cerca de mil pessoas participaram do evento, entre delegados da PF e estudantes, que é realizado em salas de cinema em shopping. O prefeito de Salvador, ACM Netto, participou da abertura do simpósio.

Ao fazer um balanço de quatro anos da Lava-Jato, Moro disse que a operação é uma história da persistência. ;Antes da Lava-Jato, tivemos uma experiência positiva no caso Banestado (anos 1990), mas que, por uma série de razões, não avançou para além dos doleiros;, afirmou o magistrado. Para ele, a Lava-Jato é resultado principalmente de um trabalho conjunto da Polícia Federal e do Ministério Público, apesar de criticar de forma velada as diferenças entre as duas corporações. ;As divergências são ruins, mas cada um tem a sua atribuição legal, cada um deve atuar dentro das suas atribuições;, disse Edvandir Felix de Paiva, presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF). A Lava-Jato foi uma das raras vezes em que houve um trabalho conjunto entre o MP e a PF.

Ideologia

Como se respondesse às críticas em relação à apuração na Petrobras, Moro comparou a Lava-Jato ao Watergate ; o escândalo nos anos 1970, nos Estados Unidos, que culminou com a renúncia do republicano Richard Nixon. ;É claro que os envolvidos na Lava-Jato faziam parte do governo. Era como se, no caso Watergate, se cobrasse investigação também contra os democratas.; A acusação em relação à seletividade da Lava-Jato, porém, vem do fato de o esquema envolver mais partidos ao longo do tempo, como numa grande ciranda entre governistas e oposicionistas. ;Essa crítica a questões ideológicas tem uma certa inconsistência. O principal responsável pelo impeachment (Eduardo Cunha) está preso.;

* O repórter viajou a convite
da Associação Nacional dos
Delegados de Polícia Federal

Em busca de Haia

Os advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva darão uma última cartada para tentar livrá-lo da cadeia. De acordo com fontes ouvidas pelo Correio, incluindo pessoas ligadas ao PT e juristas próximos ao advogado Cristiano Zanin, um dos defensores do petista, a estratégia é levar o caso ao Tribunal Penal Internacional, com sede em Haia, na Holanda. Para isso, é necessário que ocorra denúncia feita por um Estado. Venezuela, Bolívia, Colômbia, Costa Rica e México estão na lista dos defensores do petista.

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