Falta mais amor

Falta mais amor

rodrigo craveiro rodrigocraveiro.df@dabr.com.br
postado em 05/12/2018 00:00
Intolerância, falta de bom senso e selvageria. Águas Claras, sexta-feira, 30 de novembro. Centenas de crianças e adultos aguardam a passagem da tradicional caravana de Natal da Coca-Cola. Uma moradora arremessa ovos do alto de um prédio e atinge carros e pessoas. Dois dias depois, na mesma região de Brasília, a Parada do Orgulho LGBTI recebe uma profusão de críticas nas redes sociais, muitas carregadas de homofobia e de preconceito puro. Alguns dos internautas que praguejavam contra os gays também se ofendiam ao serem tachados de ;fascistas;. Em 28 de novembro, em um hipermercado de Osasco (SP), um segurança usa um pedaço de pau para quebrar as pernas de um cão que rondava o estabelecimento em busca de comida havia algum tempo. Com o animal todo ensanguentado, o funcionário completa a barbárie usando veneno.

Tantas vezes o ser humano escancara sua face mais cruel e permissiva. Expõe os seus monstros, ignora e desrespeita os direitos do próximo, despreza qualquer resquício de empatia. Muitas dessas pessoas vivem imersas em uma bolha de hipocrisia. Aos domingos, frequentam a igreja com a família. Também acreditam (ou se supõem) ser modelos de moral e ética. O que leva uma pessoa a vandalizar uma caravana que alimenta o espírito natalino, apesar do viés mercadológico? O que leva alguém a proferir impropérios contra um homossexual e a se sentir ofendido pelo direito de essa pessoa amar quem ela quiser? E ainda a se julgar na condição de impor regras à privacidade alheia? O que induz um homem a torturar e a envenenar um animal faminto?

Como escrevi há alguns anos neste mesmo espaço, a música de Flaira Ferro intitulada Quero me curar de mim bem que caberia a alguns ;cidadãos;. ;Sou má, sou mentirosa. Vaidosa e invejosa. Sou mesquinha, grão de areia. Boba e preconceituosa. (...) Sou corrupta, malandra, fofoqueira, moralista, interesseira;, diz a música. A receita para um mundo mais ordeiro deve passar pela tolerância e pelo respeito. Se queremos a harmonia em nosso interior e em nossa sociedade devemos olhar o próximo como um igual. Jamais fazer algo a ele que não gostaríamos que fizessem contra nós. A paz precisa ser construída, tijolo por tijolo. Somos os operários de nossa própria existência.

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