Helvécio Carlos

postado em 02/02/2014 00:00


Na Sapucaí


Maria Helena Cadar já está com quase tudo preparado para o carnaval. Comemorando 24 anos como destaque da Acadêmicos do Salgueiro, a mulher do empresário Emir Cadar representará a água no enredo ;Gaia, a vida em nossas mãos;. Quem a vê no alto de um carro alegórico, tranquila e com o samba na ponta da língua, não imagina o sacrifício para chegar ali. A disciplinada Maria Helena bate ponto na concentração meia hora antes de os carros começarem a se posicionar. Até a dispersão, são cerca de duas horas de muito trabalho.

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;Apesar de ter cuidado com a hidratação no dia do desfile, tomo apenas uma garrafinha da água no momento em que as luzes do carro são acesas;, conta a foliã mineira. Antes de entrar na avenida, ela joga a garrafa para o marido, Emir Cadar, o ;anjo da guarda; que a acompanha por todo o percurso.

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Maria Helena chega à avenida de calça e camiseta. Ao primeiro sinal dos coordenadores do Salgueiro, ela sobe com desenvoltura a escada até o topo do carro alegórico. ;Não tenho vertigem, mas prefiro evitar olhar para o chão;, ensina. A postos, veste a fantasia, calça os sapatos e prende adereços na cabeça ; com a ajuda do estilista Belizário Cunha. ;Até o início do desfile, é tudo muito tenso. Só fico tranquila quando a escola entra na avenida;, confessa.

Haja sacrifício!

Para desfilar no Sambódromo, é preciso muito preparo físico. ;Durante todo o ano, faço academia três vezes por semana acompanhada por uma personal trainer. O trabalho se concentra na resistência física, pois as fantasias são muito pesadas;, diz Maria Helena Cadar. A de Oxalá foi a mais pesada: tinha 30kg. A mineira é obrigada a evitar, religiosamente, abusos alimentares, sobretudo nas festas de dezembro e nas férias de verão.

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Outra obrigação: ter o samba na ponta da língua e conhecer o enredo em detalhes. ;Tenho de saber exatamente o meu papel na história. Este ano, meu carro vai homenagear a água. Meus movimentos devem ser leves;, conta. O momento mais emocionante na avenida se deu em 2007, quando ela saiu como Nefertite. O enredo ;Candances, o ano das mulheres guerreiras; ganhou um samba inesquecível, relembra Maria Helena.

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Destaque de escola de samba deve ter boa dose de sangue-frio. Não é raro ocorrer acidente durante o desfile. Certa vez, Maria Helena Cadar ficou numa plataforma tão alta que foi necessário um guindaste (apelidado Carvalhão) para erguê-la. ;O Emir só desceu para o chão depois de checar tudo e ver que eu estava ok;, relembra.




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