Trégua para evitar sanções

Trégua para evitar sanções

Lucas Fadul
postado em 20/02/2014 00:00
 (foto: Viktor Gurniak/REUTERS

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(foto: Viktor Gurniak/REUTERS )



Brasília ; O presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, anunciou mais uma trégua com a oposição, horas depois de a União Europeia e os Estados Unidos ameaçarem o país com sanções por causa da escalada de violência entre as forças de segurança e manifestantes que exigem a saída do mandatário. Desde terça-feira, os confrontos deixaram ao menos 26 mortos. Ao longo do dia, Yanukovich havia substituído o comandante do Exército e anunciado uma ;operação antiterrorista; contra os opositores ;radicais;, a quem acusou de ;insurreição;. A UE convocou para hoje uma reunião extraordinária para analisar sanções e enviou chanceleres a Kiev. O presidente americano, Barack Obama, advertiu o colega sobre possíveis retaliações internacionais. A Rússia, aliada do governo ucraniano, mencionou uma ;tentativa de golpe; e instou os líderes opositores a cessar a violência e retomar o diálogo.

No México, onde participa de uma cúpula da América do Norte, Obama alertou para as ;consequências;, caso a violência prossiga em Kiev. Ele ressaltou que o governo ucraniano é quem deve assegurar que os cidadãos possam protestar pacificamente. ;E isso inclui garantir que os militares não intervenham em assuntos que possam ser resolvidos pelos civis;, prosseguiu. ;Vamos monitorar atentamente a situação, ressaltando, com nossos sócios europeus e a comunidade internacional, que haverá consequências se as pessoas passarem dos limites.;

;É necessário restabelecer o diálogo político entre a oposição e o poder;, declarou o chanceler francês, Laurent Fabius, que desembarca hoje na capital ucraniana com os colegas da Alemanha, Frank-Walter Steimeier, e da Polônia, Radoslae Sikorski. Fabius classificou a violência como ;inaceitável; e afirmou que seu governo discutirá possíveis sanções com a Alemanha. ;A Ucrânia está pagando muito caro pelas táticas dilatórias do presidente Yanukovitch;, reforçou Steinmeier. ;Sua recusa a realizar conversações sérias sobre uma solução pacífica do conflito e uma reforma constitucional é um grave erro.;

Yanukovich pediu à oposição que se afaste da ala radical e se esforce na busca de uma solução para o impasse. Admitiu que alguns assessores tentam convencê-lo a usar a força, mas garantiu que essa nunca foi uma opção. ;Devemos sentar-nos à mesa de negociação e salvar a Ucrânia;, insistiu. A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, condenou a violência em Kiev e pediu uma investigação urgente e independente para ;estabelecer os fatos e as responsabilidades;. ;Condeno com veemência as mortes e peço ao governo e aos manifestantes que atuem para desativar a tensão e ajam rapidamente para encontrar uma solução pacífica;, afirmou.

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