Multiplicação dos ovinhos

Criação das aves cresce no estado e no país motivada pela mudança de hábito da população. Consumo em self-service e uso da iguaria em festas ajudaram a motivar a expansão do plantel

Zulmira Furbino
postado em 03/03/2014 00:00
A mudança dos hábitos nas grandes cidades está cada vez mais influenciando a vida no campo. Tanto em Minas Gerais quanto no Brasil, o hábito de fazer refeições fora de casa e a popularização dos bufês de festas e eventos estão impulsionando a criação de codornas e a produção dos ovos dessas aves, in natura ou em conserva. No país, o plantel saiu de 6,2 milhões de aves em 2002 para cerca de 20,4 milhões em 2013, segundo estimativas da Associação de Avicultores de Minas Gerais (Avimig). De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estado é o segundo maior produtor de ovos de codorna do país, com 26,4 mil dúzias e uma participação de 9,3% do total do mercado brasileiro. O primeiro lugar do ranking de produção é de São Paulo.
A janela da oportunidade foi aberta também quando os supermercados passaram a liderar a comercialização dos ovos, o que levou grandes aviários a entrar de cabeça no segmento de produção e processamento industrial dos ovos, que além da forma in natura também são vendidos em forma de conserva (refrigerados). ;Nos últimos sete anos, o mercado se abriu e a produção de aves e ovos de codorna passou a ser feita de forma moderna;, diz Benedito Lemos de Oliveira, diretor técnico do Aviário Santo Antônio e diretor de coturnicultura da Avimig. A empresa tem granjas em Lavras e Nepomuceno, no Sul do estado.
;Ovos de codorna prontos para servir atenderam o uso e o gosto dos brasileiros, fazendo crescer a classe dos chamados ;quebradores; de ovos de codornas e, depois, o número de indústrias de ovos em conserva;, explica Benedito Oliveira. De acordo com ele, são quatro grandes indústrias em Minas especializadas na iguaria. Além disso, segundo ele, o uso de embalagens modernas completam o ;mix; de produtos avícolas para as grandes redes de supermercados e sacolões.

ESCALA MAIOR Com essa evolução do processamento e da demanda, as grandes empresas avícolas entraram no mercado de produção de codornas lançando mão de sua larga capacidade de escala e de automação. ;Granjas com mais de 100 mil codornas se tornaram comuns. Contudo, ainda há inúmeras granjas pequenas voltadas para a criação da ave. Todos os criadores estão apostando em mercado promissor por causa da Copa do Mundo e das Olimpíadas;, diz.
É o caso de Élvio Lage de Faria, produtor de codornas que já está na atividade há duas décadas. Sua granja fica entre Itaúna e Divinópolis, na região Centro-Oeste do estado. ;Faço a coleta de 13 mil a 14 mil ovos por dia. No plantel há cerca de 18 mil codornas, que ficam acomodadas em gaiolas;, diz. Ele conta que começou na atividade há 20 anos porque ficou desempregado. ;Eu tinha duas kombis. Vendi uma e comecei a produzir no sítio da minha mãe. Tomei gosto pela coisa e comprei um terreno em Vista Alegre, na zona rural de Itaúna;, diz. Os clientes de Élvio de Faria são restaurantes, supermercados e sacolões.
;A demanda está aumentando mas a concorrência ficou muito grande. Já tem aviário com 800 mil codornas. A produção passou a ser industrial;, observa o pequeno criador. Para Élvio de Faria, o maior desafio hoje é se manter nesse mercado, enfrentando as oscilações dos preços da soja e do milho. Apesar disso, ele faz suas entregas três vezes por semana e conta que a granja trabalha 24 horas ao dia. ;No fim de semana são dois funcionários. A codorna é muito resistente, mas além dos cuidados com a prevenção de doenças, é preciso tratar delas duas vezes ao dia. Do contrário, a produção pode cair.;

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