Bethânia, sempre abelha rainha

Bethânia, sempre abelha rainha

por Irlam Rocha Lima irlamrocha.df@dabr.com.br
postado em 10/05/2014 00:00



Quando em fevereiro de 2005 estive no Rio de Janeiro para participar da entrevista coletiva de lançamento do Que falta você me faz e ouvi o álbum em que Maria Bethânia prestou tributo a Vinicius de Moraes, me pus a imaginar como seria o próximo show da cantora, interpretando aquele repertório. O espetáculo, que recebeu o nome de Tempo, tempo, tempo, tempo estreou no Rio de Janeiro, logo depois do carnaval, e chegou a Brasília em 6 de maio, para duas apresentações na Sala Villa-Lobos.

Como de hábito, Bethânia não se ateve apenas ao novo disco. Mas já foi uma bênção ouvir canções do Poetinha compostas em parceria com Baden Powell (Samba da bênção) Tom Jobim (A felicidade), além de exibir a faceta de atriz, em Soneto da separação ; um clássico da obra literária de Vinicius ; no qual emprestou sua conhecida dramaticidade.

O roteiro, definido por ela, era bem eclético e incluía desde Chuá, chuá, uma velha canção de característica sertaneja, a Vai ficar na saudade, samba pouco conhecido de Benito de Paula. A plateia que lotou o teatro nas duas noites a aplaudiu calorosamente ao ouvir Volta por cima (Paulo Vanzolini), Olhos nos olhos (Chico Buarque) e Pode vir quente que eu estou fervendo (Carlos Imperial e Eduardo Araújo).

Presença frequente no roteiro dos shows dela, O que é, o que é?, de Gonzaguinha, voltou a ser cantada. Saudada, aos berros, por fãs mais exaltadas, com adjetivos tipo ;divina;, ;maravilhosa; e ;gostosa;, a Abelha Rainha, sem qualquer arrogância, apenas esboçava um sorriso, sem se manifestar sobre a demonstração de tietagem explícita. Ao fim, sempre após apresentar os músicos da banda, limitou-se a agradecer: ;Obrigado, senhores;.

Antes do show, voltei a conversar com Bethânia. Ao falar sobre sua relação com Vinicius, disse: ;O respeitava muito. Sempre o tratei por poeta. Afinal, eu era uma pessoa comum e não tinha com ele a intimidade compartilhada por um Tom Jobim, um Carlos Lyra, um Chico Buarque, que são deuses, como Vinicius;. Sobre o seu lado de atriz, explicou: ;De alguma forma sempre estive ligada à dramaturgia. Menina, em Santo Amaro, costumava, com Caetano, improvisar um palco para brincar de fazer teatro. O público descobriu esse meu lado logo no começo da carreira, quando substituí Nara Leão no espetáculo Opinião, em 1965;. Os fãs não só tomaram conhecimento, como ficam sempre na expectativa de vê-la representar.

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