Exército retoma o ataque após eleição

Exército retoma o ataque após eleição

No dia seguinte à escolha do novo presidente, militares relançam operação contra separatistas no leste. Petro Poroshenko dá aval à ofensiva, mas acena com diálogo

postado em 27/05/2014 00:00
 (foto: Dimitar Dilkoff/AFP)
(foto: Dimitar Dilkoff/AFP)





Um dia depois da eleição presidencial na Ucrânia e com o aval do vencedor, Petro Poroshenko, as forças de segurança voltaram ontem a combater os separatistas no leste do país, usando helicópteros militares em mais uma ;operação antiterrorista;. Poroshenko, conhecido como ;Rei do Chocolate;, por ser dono de uma das maiores fábricas de doces do país, se disse ser a favor de uma ofensiva ;mais eficiente; e afirmou que sua prioridade é viajar para a região em busca de um acordo de paz. Em declarações à imprensa, ele detalhou algumas medidas que pretende adotar quando assumir o poder, como garantir a unificação do país e dar prosseguimento à aproximação com a União Europeia (UE).

;Aqueles que não querem entregar as armas são terroristas, e não se negocia com terroristas;, defendeu Poroshenko. ;A federalização é indiferente para eles, que não se importam em nada com a língua russa. O objetivo deles é transformar o Donbass (leste da Ucrânia) numa Somália;, sintetizou, referindo-se ao país africano devastado por guerras civis desde 1991. Questionado sobre seus planos para levar a paz à região, onde separatistas se autodeclararam independentes de Kiev e há semanas enfrentam as forças de segurança, o presidente eleito ele afirmou que ;um diálogo com todos os residentes de Donbass seria eficaz;.

Poroshenko garantiu que os militantes pró-Rússia que aceitarem o desarmamento exigido por Kiev serão anistiados. Ele adiantou que pretende manter o primeiro-ministro interino, Arseni Yatseniuk, à frente do governo.

A Rússia, que já se comprometera a aceitar o resultado das eleições na Ucrânia, reafirmou ontem a disposição de abrir negociações com o novo presidente. ;Estamos dispostos a iniciar um diálogo pragmático, em pé de igualdade, baseado no respeito a todos os acordos, em particular nas áreas comercial, econômica e de gás, com o objetivo de buscar soluções para os problemas atuais entre Rússia e Ucrânia;, declarou o ministro de Relações Exteriores, Serguei Lavrov. O chefe da diplomacia russa destacou a importância de o novo governo respeitar ;compromissos que levem em consideração todas as forças políticas;, e condenou a investida militar no leste. ;Seria um erro colossal manter a operação;, advertiu.

De acordo com Poroskenko, sua primeira viagem internacional será, ;muito provavelmente;, em 4 de junho, para as comemorações do 25; aniversário do fim do comunismo na Polônia. O novo presidente deve aproveitar a ocasião para se reunir com o colega norte-americano, Barack Obama. O Departamento de Estado dos EUA parabenizou a ;bem-sucedida realização das eleições; e prometeu apoiar os esforços democráticos no país. ;A grande participação manda uma mensagem clara: os ucranianos querem viver em uma Ucrânia unida, democrática e pacífica, ancorada em instituições europeias;, disse o secretario de Estado, Jony Kerry, em um comunicado.

Donetsk
Militantes pró-Rússia tomaram o controle do Aeroporto Internacional Sergei Prokofiev, na província de Donetsk, no início da tarde (7h de Brasília). Sem violência, os seguranças foram orientados a se retirarem do local, que teve todos os voos cancelados. Três caminhões, com centenas de homens armados e uniformizados, reforçaram a interdição. Os rebeldes, que não aceitam a autoridade de Kiev, afirmaram ter invadido o aeroporto para evitar que Poroshenko tentasse desembarcar na região. ;A situação está se agravando no terreno. Não é muito inteligente da parte de Poroshenko querer vir, porque as pessoas daqui não querem vê-lo;, alertou Denis Pushilin, um dos líderes separatistas de Donetsk. Segundo Pushilin, o diálogo só será possível com mediação de Moscou.

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