Argentina

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Vitória argentina contra a Bósnia serve de ensaio para as provocações entre hermanos e brasileiros, numa sonhada disputa pelo título

MARCOS PAULO LIMA Enviado especial
postado em 16/06/2014 00:00
 (foto: Michael Dalder/Reuters)
(foto: Michael Dalder/Reuters)

Rio de Janeiro ; Se a final dos sonhos dos fiéis dessa religião chamada futebol é Brasil e Argentina, a decisão virtual de 13 de julho começou ontem, dentro e fora das quatro linhas do aniversariante do dia. O Maracanã completa, hoje, 64 anos. Um dos presentes antecipados do velho Mário Filho foi um daqueles golaços de Lionel Messi no primeiro encontro do ex-melhor do mundo com a casa de
shows mais badalada do planeta.

O camisa 10 voltou a marcar na Copa depois de oito anos ; o única havia sido em 2006. Mas maior lembrancinha do Maraca foi entregue por convidados infiltrados. Vestidos de verde-amarelo ou com a camisa dos clubes do coração, os brasileiros provocaram, cutucaram, alfinetaram os arquirrivais parafraseando hists que embalam times cariocas e a Seleção. Porém, deixaram o estádio frustrados, provavelmente refletindo: ;Como é duro torcer para a Bósnia e Herzegóvina;.

Duro e sofrido. O primeiro gol da vitória da Argentina foi contra. Por sinal, histórico. Depois de uma cobrança de falta de Messi, o atrapalhado Kolasinac mandou para dentro da própria rede o desvio sutil de Rojo. Nunca antes na história dos mundiais um ;autogol;, como dizem os hermanos, havia saído com 144 segundos de partida.

O recorde foi a senha para um trailer da final dos sonhos nas arquibancadas. Enlouquecidos, os hinchas argentinos ameaçaram transformar o Maracanã em um Monumental de Núñez, o lar alviceleste. Em uníssimo, cantaram ;voltaremos a ser campeões como em 1986;.

Soou como uma blasfêmia suficiente para despertar um gigante. De repente, os brasileiros saíram do anonimato e deram início a uma guerra fria antecipada pelo título. Inspirada no samba Domingo, de Neguinho da Beija-Flor, a plateia verde-amarela provocou: ;Porque o meu time bota para ferver, e o nome dele são vocês que vão dizer: ;Bósnia;.

Sem chance
Ilusão. Faltava à ex-república iugoslava, estreante na Copa, no mínimo uma camisa amarela cinco estrelas. A melhor chance de retribuir o apoio foi desperdiçada por Lulic. O meia cabeceou forte, mas Romero operou um milagre e espalmou para escanteio.

No segundo tempo, o técnico Alejandro Sabella trocou o retrancado 5-3-2 pelo 4-3-3. O volante Gago substituiu o zagueiro Campagnaro e o volante Maxi Rodríguez deu lugar a Higuaín. Aí, a torcida bósnio-brasileira resolveu mexer com quem estava quieto. Depois de uma péssima cobrança de falta do astro, gritou: ;Ei, Messi, vai tomar...;.

A massa argentina imediatamente tomou as dores. Nos embalos de ;Olê, olê, olê, olê, Messi, Messi;, o craque arrancou no meio de campo, tabelou com Aguero, ignorou um marcador na corrida e provocou um mini-Maracanazo ao ver a brazuca tocar no rodapé da trave antes de entrar após um chute de fora da área. Quando Messi partiu com a bola, a torcida brasileira esboçava a resposta ao som de ;Olê, olê, olê, olê, Neymar;. Ibisevic ameaçou a reação com um chute cruzado, entre as pernas de Romero, ouviu gritos de ;Bósnia;, mas a derrota estava consumado.

Messi não sabe se voltará ao Maracanã nesta Copa. Muito menos Neymar tem essa certeza. Mas, o que se viu, ontem, no velho Mário, foi uma singela oferenda do craque e das duas torcidas mais fanáticas do mundo por suas seleções aos deuses do futebol. Uma súplica sob os olhos do Cristo Redentor por uma inédita decisão entre Brasil e Argentina.

O lado verde-amarelo não se deu por vencido e foi para casa com um aviso no gogó ; ;Ô Argentina, pode esperar, a sua hora vai chegar; ; e um lembrete: ;Aha, uhu, o Maracana é nosso;. É nosso, e hoje faz 64 anos. Parabéns, velho Mário Filho!

Lance raro
Nos últimos 30 anos, apenas quatro jogadores argentinos fizeram gol em um chute de fora da área na Copa do Mundo: Batistuta, Maxi Rodriguez, Tévez e Messi. Nem Diego Armando Maradona conseguiu marcar de longe na história dos mundiais.


Estatísticas e curiosidades
Gols contra mais rápidos da história das Copas

1. Kolasican/Bósnia (2014), aos 144 segundos
2. Gamarra/Paraguai (2006), aos 166 segundos
3. Vutzov/Bulgária (1966), aos 7 minutos


Sobe o som
Os gritos da torcida brasileira em provocação aos argentinos no Maracanã

; ;Pentacampeão;

;;Eu, sou brasileiro, como orgulho, com muito amor;

;;Ô, Messi, v...;

;;Ei, Messi, vai tomar...;

;;Olê, olê, olê, olê, Neymar;

;;Ô Argentina, pode esperar, a sua hora vai chegar ;

;;Aha, uhu, o Maracanã é nosso;

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