Colombianos querem Castelazo

Colombianos querem Castelazo

Depois de invadirem a capital, sul-americanos que moram na cidade apostam em vitória sobre a Seleção Brasileira. Camisas do time já estão em falta

» MATHEUS TEIXEIRA
postado em 02/07/2014 00:00
 (foto: Carlos Moura/CB/D.A Press - 19/6/14)
(foto: Carlos Moura/CB/D.A Press - 19/6/14)









Repetir o feito do Uruguai em 1950 e desbancar um dos favoritos ao título dentro da própria casa. Essa é a missão e o sonho da Colômbia para o jogo contra o Brasil, na próxima sexta-feira, às 17h. Apesar de já terem feito história ; é a primeira vez que chegam às quartas de final de Copa do Mundo ;, eles não querem parar por aí. Os colombianos moradores de Brasília ainda se regozijam ao lembrar dos dias que seus conterrâneos invadiram a cidade, há duas semanas, quando jogaram contra Costa do Marfim. Agora, apostam numa vitória sobre o Brasil. A empolgação dos nossos vizinhos sul-americanos é tamanha que quase não se encontra mais camisas daquela seleção nos centro comerciais.

A partida será em Fortaleza, no Estádio Castelão. Em alusão ao Maracanazo (leia Para saber mais), como ficou conhecida a final da Copa de 1950, o colombiano Juan Carlos Mosquera, 50, aposta num Castelazo. Morador de Brasília há 10 anos, ele é mecânico e veio à capital para trabalhar. Confiante, acredita numa vitória magra do seu país. ;Todos os confrontos deste Mundial estão sendo decididos nos últimos minutos. E assim será sexta-feira. Venceremos no detalhe;, crava.

Casado com uma brasileira, ele tem dois filhos nascidos aqui. Afirma ser um pouco brasileiro e até torce para o Brasil. Mas, segundo ele, na sexta-feira, não vai querer que o ;rico fique mais rico ainda;. ;O Brasil é o maior vencedor da história da competição, não precisa de mais títulos. Tinham que nos dar uma colher de chá e deixar um vizinho sul-americano ser campeão;, sonha. Mesmo com a prateleira verde e amarela cheia de troféus, em caso de derrota colombiana, ele apoiará a Seleção Canarinho. ;Vou torcer pela Colômbia como se fosse o último jogo da minha vida. Se não der certo, porém, vou de Brasil, minha segunda pátria;, garante.

A administradora Amira Lizarazo, 49, mora em Brasília há seis anos. Tem uma filha de 9 anos e outra de 24. Quando chegou à capital, a mais nova era bem pequena. Agora, a filha é quase uma brasiliense e não sabe para quem torcer. ;Ela está dividida, pois vive aqui desde muito nova. Além disso, todos no colégio estão empolgados com a Copa e ela entra no clima dos colegas;, conta. Ela, o marido e a filha mais velha, no entanto, já preparam o grito de guerra para o jogo contra o Brasil. ;Nós vamos vencer por 2 x 1;, opina.

Amira está no clima da Colômbia e, para a foto, pôs até o sombreiro vueltiao, item tradicional naquele país. Ela tem amigos espalhados pela América Latina e garante que quase todas as nações torcem pelo Brasil. ;Tenho uma amiga no Panamá e ela me mandou uma foto com a camisa do Brasil. Fora a Argentina, por causa da rivalidade, todos os países vizinhos, depois de eliminados, torcem pelo hexa;, acredita.

O contabilista Ivan Carvajal, 56, está na mesma situação de Mosquera. Em Brasília há 32 anos, ele é casado com brasiliera e tem quatro filhos brasilienses. Sempre comemora com os familiares. Mas, desta vez, a família estará dividida. ;Vai ser difícil torcer contra o time dos meus filhos. Mas sou colombiano e tenho muito orgulho disso;, afirma. Ele acredita num título inédito da seleção. ;Passaremos pelo Brasil, o que será o mais difícil. Depois disso, vamos rumo à conquista do Mundial.;

Na moda

Além de ter jogado em Brasília, a Colômbia é considerada por muitos o time que vem apresentando o melhor futebol da competição. Esse é um dos motivos para que a camisa da seleção esteja acabando nas lojas de artigos esportivos. Lucas Araújo, vendedor de um estabelecimento do gênero, conta que não só os colombianos estão atrás da peça. ;Muitos brasileiros procuram loucamente a camisa amarela. E não é a nossa, por incrível que pareça;, diz. Ele acredita que a empolgação dos vizinhos conquistou a simpatia dos brasilienses. ;Eles são muito animados. Têm uma cultura parecida com a nossa;, crê.


Para saber mais

Choro no Maraca

A quarta Copa do Mundo da história, em 1950, foi realizada no Brasil. Com um ótimo time, a Seleção Canarinho era a favorita. O time realmente chegou à decisão. Com o Maracanã lotado ; um público estimado em 200 mil torcedores ;, o Brasil só precisava empatar com o Uruguai para se sagrar campeão. Começou ganhando, mas levou a virada por 2 x 1. A derrota deu o bicampeonato aos uruguaios. O Brasil, naquele momento, ainda não tinha um título sequer.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação