Pior que a Al-Qaeda

Pior que a Al-Qaeda

Secretário americano de Defesa admite que o Estado Islâmico é %u201Cmais do que um grupo terrorista tradicional%u201D e alerta que será preciso atacá-lo também na Síria

postado em 22/08/2014 00:00
 (foto: Joel Saget/AFP)
(foto: Joel Saget/AFP)


O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Chuck Hagel, alertou ontem sobre a dimensão assumida pelo grupo extremista sunita Estado Islâmico (EI), que irrompeu na mídia em meio à guerra civil na Síria, conquistou neste ano vastas áreas no Iraque e proclamou um ;califado; (forma medieval de governo muçulmano) nas áreas sob seu controle em ambos os países. ;É mais do que uma organização terrorista tradicional;, afirmou Hagel em pronunciamento feito um dia depois da divulgação do vídeo que mostra um jihadista decapitando o jornalista americano James Foley. Na avaliação do secretário, o EI representa uma ameaça mais perigosa que a da rede Al-Qaeda ; da qual se separou recentemente ; e obriga os EUA a manter o envolvimento militar no Iraque.

O secretário de Defesa não escondeu a surpresa das autoridades diante da capacidade estratégica demonstrada pelo EI. ;Eles aliam a ideologia a uma sofisticação estratégica e tática de nível militar. São extremamente bem-estruturados. Isso está além de qualquer coisa que já vimos;, admitiu. O general Martin Dempsey, chefe do Estado-Maior conjunto, sustentou que o grupo só poderá ser neutralizado com um ataque simultâneo em duas frentes. ;O EI pode ser derrotado sem nos voltarmos também para a parte dessa organização que está na Síria? A resposta é não;, afirmou.

Hagel relatou que os esforços para conter o avanço no EI no Iraque já envolveram sete lançamentos de auxílio humanitário e 89 bombardeios a posições do grupo, além de mais de 60 missões de inteligência e reconhecimento. Ontem, aviões americanos fizeram ataques contra posições dos jihadistas nos arredores da represa de Mossul, no norte do país. Segundo o secretário, aliados como França e Reino Unido devem se unir aos esforços internacionais para interromper as ações do EI.

Jornalistas
Enquanto autoridades do Reino Unido tentavam identificar o suposto cidadão britânico que assassinou Foley, Philip Balboni, diretor-geral do GlobalPost, informou que o EI fixara um resgate de 100 milhões de euros (cerca de US$ 132 milhões) para libertar o refém. O jornalista prestava serviços para o veículo quando foi sequestrado, na Síria, em novembro de 2012. Segundo Balboni, a família do repórter também esteve em contato com os jihadistas, mas as negociações não avançaram. Uma semana antes de anunciarem a execução, os sequestradores enviaram mensagens ameaçando matar o jornalista.

Segundo o jornal The New York Times, o EI ameaça matar outros três americanos, caso suas demandas não sejam atendidas. O Pentágono confirmou que uma operação para resgatar americanos mantidos reféns pelo EI ; inclusive Foley ; chegou a ser executada, na Síria, mas fracassou. A ação foi autorizada pelo presidente Barack Obama no fim do primeiro semestre. Hagel afirmou que Washington tinha informações de inteligência suficientes para justificar a tentativa. ;A operação era perfeita, mas os reféns não estavam no local.;

O secretário de Defesa insistiu que os EUA não desistirão dos esforços de resgatar seus cidadãos e levar os captores à Justiça. Ele, porém, ressaltou a surpresa das autoridades diante da capacidade estratégica demonstrada pelo EI. ;Eles aliam a ideologia a uma sofisticação estratégica e tática de nível militar. São extremamente bem-estruturados. Isso está além de qualquer coisa que já vimos;, admitiu.



Irã oferece apoio, mas pede ;troco;
O chanceler do Irã, Mohamed Javad Zari, afirmou que seu país se dispõe a ajudar na luta contra o Estado Islâmico (EI), no Iraque e na Síria, em troca de avanços nas negociações com as potências sobre seu programa nuclear. Depois de o governo francês pedir que todos os países do Oriente Médio se unam contra os jihadistas, Zarif sugeriu como ;retribuição; o alívio nas sanções econômicas impostas ao Irã. No fim da noite de ontem, a chancelaria de Teerã voltou atrás e desmentiu qualquer intenção de condicionar sua participação no combate ao EI.

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