Vampiros pós-modernos

Vampiros pós-modernos

Mariana Vieira
postado em 22/08/2014 00:00
 (foto: Paris Filmes/ Divulgação)
(foto: Paris Filmes/ Divulgação)
Crítica Amantes Eternos ***





Será que o mundo precisava de mais um filme sobre vampiros? Quando se trata de Amantes Eternos (2013), novo trabalho do diretor indie Jim Jarmusch (Flores Partidas, Sobre Café e Cigarros), a tentativa vale a pena. Mesmo ao entrar num gênero tão exaustivamente explorado nos últimos anos, Jarmusch não abre mão das próprias idiossincrasias. Desde o disco rodado no início da película à trilha sonora hipnotizante, passando pelo rumo dos diálogos: tudo sugere a repetição infindável de ciclos, principalmente no que diz respeito à cultura e às artes, tão caras aos protagonistas.

Adam (Tom Hiddleston, de Thor ) é um vampiro secular que vive na decadente Detroit e se lamenta pelo jeito como os humanos, chamados por ele de zumbis, tratam a arte e o planeta. Músico recluso, acaba fazendo sucesso justamente pela postura. Eve (Tilda Swinton, de Precisamos falar sobre o Kevin ), sua companheira, vive no Marrocos e, preocupada com mais uma crise de Adam, viaja até a América para encontrá-lo.

O público pode estranhar o ritmo desacelerado da narrativa. Mas os diálogos filosóficos, recheados de referências científicas (Adam é um fã declarado de Thomas Edison, Tesla e Galileu) e literárias (em uma cena, vemos Eve empacotando livros, dentre os quais se destacam o clássico Dom Quixote e o contemporâneo Infinite Jest, de David Foster Wallace), prendem a atenção. O suposto conflito da história, que é a chegada de Ava (Mia Wasikowska), irmã de Eve, acaba se diluindo na atmosfera do longa metragem.

Adam e Eve, como sugerem seus nomes e respectivos figurinos, são duas partes de uma coisa só; são vampiros sim, mas, especialmente, sobreviventes de cada novo ciclo de ascensão e decadência tipicamente humanos.



US$ 7 milhões
Orçamento do filme



Na web
Confira o trailer do filme Amantes Eternos.
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