Marmita mais cara

Marmita mais cara

postado em 08/09/2014 00:00

A alta dos alimentos foi determinante para a inflação das ruas. A carne bovina, que no último ano encareceu 8,79%, aparece como um dos principais vilões dos comerciantes. Proprietário de um quiosque próximo ao Banco Central, Marcos Israel Souza, 38 anos, reajustou em 20%, em janeiro deste ano, o preço cobrado pela refeição: de R$ 10 para R$ 12. ;Além dos alimentos, tive mais encargos com água, luz e despesa com pessoal. Estou trabalhando com a margem de lucro sacrificada;, diz.

O servidor público Thiago Pinheiro, 26 anos, se divide entre Brasília e São Paulo e reclama dos preços nas duas cidades. ;Se pesquiso bem, ainda encontro marmita a R$ 6. Mas lembro que pagava R$ 5 no ano passado;, conta ele, que recorre aos informais porque avalia que os valores ainda saem mais em conta na comparação com lanchonetes e restaurantes. ;Em comércios um pouco melhores, o preço do quilo não sai por menos do que R$ 22;, afirma. Os preços do self-service subiram tanto que o vale-refeição das empresas não é mais suficiente para garantir a alimentação do mês.

A água de coco também não escapou da inflação. Em Brasília, o consumidor que não pesquisar pode pagar até R$ 3,50 pela unidade em caminhões às margens da Estrada Parque Taguatinga Guará (EPTG). O vendedor Josemar Nascimento, 60 anos, cobra R$ 3 pelo produto porque aposta que, oferecendo um preço mais baixo, vende mais e supera a concorrência. ;De quinta a domingo, tenho conseguido vender entre 800 e 900 cocos nos quatro dias;, calcula.

Em alta temporada, como em dezembro e janeiro, ele chega a pagar até R$ 2 por cada coco, quase R$ 0,80 mais do que o normal. Apesar de a variação de preço depender do período do ano, ele mostra insegurança quanto ao futuro do negócio. ;Se a gasolina for reajustada mais uma vez, como parece que vai acontecer, o frete do coco ficará ainda mais caro para a gente. E aí não vou conseguir manter o valor atual de R$ 3;, prevê.

Fiscalização

Em maio deste ano, o Ministério do Trabalho e Emprego lançou o Plano Nacional de Combate à Informalidade dos Trabalhadores Empregados, que prevê a integração de políticas de fiscalização para reduzir os índices de informalidade no país. A expectativa é trazer para a formalidade os cerca de 17,1 milhões de trabalhadores que não têm carteira assinada, o que poderia gerar cerca de R$ 50 bilhões em recursos à Previdência Social. (RC)

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