Planalto busca vagas para peemedebistas

Planalto busca vagas para peemedebistas

Quatro senadores e o presidente da Câmara deverão ser contemplados com cargos. Ao compensar quem perdeu nas urnas, objetivo é evitar derrotas no Legislativo

PAULO DE TARSO LYRA
postado em 26/11/2014 00:00
 (foto: Bruno Peres/CB/D.A Press)
(foto: Bruno Peres/CB/D.A Press)

Enquanto segue sofrendo críticas dos movimentos sociais, do PT e de intelectuais de esquerda, a presidente Dilma Rousseff começa a agradar o PMDB e a negociar o espaço da legenda na reforma ministerial. Ela avisou ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que, após concluir as nomeações da equipe econômica, chamará o partido na próxima semana para definir os ministeriáveis. Ambos acertaram a indicação do senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) para o Tribunal de Contas da União (TCU) e abriram conversas sobre os indicados para os ministérios.

Na lista apresentada pelos peemedebistas, estão os senadores Eduardo Braga (AM), Eunício Oliveira (CE) e o deputado Henrique Eduardo Alves (RN). Atual líder do governo no Senado, Braga quer ser ministro de Minas e Energia, na vaga aberta por Edison Lobão, que retorna ao Senado após seis anos à frente da pasta. Ressentido com a alegada falta de apoio do Planalto à sua campanha estadual, Braga espera uma compensação ministerial.

Se o acerto não se concretizar, quem pode se beneficiar é outro senador peemedebista derrotado pelas urnas em outubro: Eunício Oliveira, que perdeu a disputa pelo governo do Ceará para o petista Camilo Santana. Nesse caso, no entanto, ele poderá assumir o Ministério da Integração Nacional para concluir as obras da transposição do São Francisco.

Liderança
Quem acompanha de longe a movimentação dos cotados para ministérios é o senador Romero Jucá (PMDB-RR). Eterno líder do governo no Senado ; ocupou o cargo ao longo dos governos Fernando Henrique Cardoso, Lula e no início do governo Dilma ;, Jucá poderá voltar ao posto caso Braga vá para o Ministério de Minas e Energia. ;Ele adora ser líder do governo e ir para a guerra;, reconheceu um aliado de Jucá, que fez campanha para Aécio Neves (PSDB-MG) durante as eleições presidenciais. Jucá voltou a ganhar pontos com o Planalto pela desenvoltura com que aprovou, na Comissão Mista de Orçamento (CMO), o projeto que altera as regras de superavit primário para corrigir o desequilíbrio fiscal do governo. ;Ele é um líder perfeito. Resolve as coisas;, derreteu-se um aliado da presidente.

Caso Braga não vá para o MME, Jucá poderia assumir a vaga de Eunício Oliveira na liderança do PMDB no Senado, se ele, de fato, for indicado para a Integração Nacional. No início de 2012, Jucá ensaiou concorrer com o peemedebista cearense na disputa pelo cargo de líder, mas desistiu a pedido de Renan.

Dilma reconhece que atropelou as negociações políticas ao indicar a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) para o Ministério da Agricultura, passando por cima da bancada de deputados do PMDB, que se considera dona da vaga. Embora poucos deputados acreditem que o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), vá brigar por ministérios para não fragilizar os próprios planos de concorrer à presidência da Casa em fevereiro do ano que vem, houve choro de alguns parlamentares contra Kátia. No encontro com a presidente, Renan ratificou o apoio dos senadores à colega de bancada.

Mas, ainda assim, Dilma afirmou a interlocutores que poderia compensar o equívoco nomeando o atual presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), para a vaga do primo, Garibaldi Alves (RN), que volta ao Senado deixando vaga a cadeira de ministro da Previdência. Se isso se concretizar, causará surpresa em alguns petistas, já que Henrique Alves atribuiu a Luiz Inácio Lula da Silva a derrota na disputa pelo governo potiguar. O ex-presidente apareceu no horário eleitoral de seu adversário, Robinson Faria (PSD), pedindo votos para ele.


Em alta
As peças do xadrez peemedebista movidas por Dilma Rousseff e Renan Calheiros



Vital do Rêgo
(PMDB-PB)
Presidente das CPI Mista da Petrobras e da Comissão instalada apenas no Senado para investigar a estatal, Vital será indicado a ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), na vaga de José Jorge


Eduardo Braga
(PMDB-AM)
Líder do governo no Senado, candidato derrotado ao governo do Amazonas, Braga trabalha para ser ministro de Minas e Energia, no lugar de Edison Lobão. Em 2011 ele chegou a ser cotado para o Ministério da Previdência, mas não aceitou. Seu grande desejo é assumir o MME


Eunício Oliveira
(PMDB-CE)
Líder do partido no Senado, o candidato derrotado ao governo do Ceará pode se tornar ministro da Integração Nacional caso as negociações de Eduardo Braga para conquistar o MME não avancem


Romero Jucá
(PMDB-RR)
Pode voltar a ser líder do governo no Senado na vaga de Eduardo Braga, caso ele vá para o Ministério de Minas e Energia. Se a opção da presidente for por Eunício, Jucá poderá tornar-se líder do PMDB


Henrique Eduardo Alves
(PMDB-RN)
Presidente da Câmara, candidato derrotado ao governo do Rio Grande do Norte, sem mandato a partir de fevereiro de 2015, pode virar ministro da Previdência no lugar do primo, Garibaldi Alves, que desejar voltar para o Senado.

Manifesto contra Levy e Kátia Abreu
A presidente Dilma Rousseff segue tendo dor de cabeça com os próprios aliados. No final da tarde de ontem, um manifesto de intelectuais de esquerda encabeçado por Luiz Gonzaga Belluzzo, João Pedro Stédile, André Singer e Leonardo Boff contava com 2,5 mil assinaturas pedindo coerência da presidente. Os principais alvos são as nomeações de Kátia Abreu para a Agricultura e de Joaquim Levy para a Fazenda. ;Esses rumores significam uma regressão da agenda vitoriosa das urnas;, diz o documento.

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