Ano pautado pelo voto

Ano pautado pelo voto

A eleição e os assuntos correlatos provocaram os principais fatos da política em 2014. A Lei da Ficha Limpa tirou da disputa Arruda e Jaqueline Roriz, e abriu espaço para Rollemberg superar Agnelo. Destaque ainda para condenações e prisões de políticos

» KELLY ALMEIDA » ALMIRO MARCOS
postado em 01/01/2015 00:00
 (foto: Arquivo Pessoal

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(foto: Arquivo Pessoal )


Em um ano marcado pelas eleições, a iniciativa popular que criou a Lei da Ficha Limpa foi uma das responsáveis por mudar o quadro eleitoral no Distrito Federal. Ela tirou do páreo o candidato que liderava as pesquisas de intenções de votos ao Palácio do Buriti ; o ex-governador José Roberto Arruda (PR) ;, uma deputada federal com grandes possibilidades de reeleição ; Jaqueline Roriz (PMN) ; e dois distritais com chances de vitória ; Benedito Domingos (PP) e Aylton Gomes (PR). A regra prevê que pessoas condenadas em segunda instância por vários tipos de crimes fiquem inelegíveis.

Com a saída de Arruda do páreo, o nome de Rodrigo Rollemberg (PSB) ganhou destaque. Até então, o socialista aparecia em terceiro lugar nas pesquisas. Passou a liderar a preferência dos brasilienses e foi eleito no segundo turno, com 55,56% dos votos. Brasília elegeu o primeiro representante da geração Brasília para o Palácio do Buriti, desbancando grupos tradicionais, como petistas, rorizistas e arrudistas.

Mesmo candidato à reeleição com 16 partidos na coligação, o governador Agnelo Queiroz (PT) não se sustentou no cargo. Foi derrotado ainda no primeiro turno. O petista, que começou a disputa eleitoral com quase 50% de rejeição, termina o mandato com a popularidade ainda pior. Isso porque entrega a cidade com atrasos nos salários de vários servidores e nos pagamentos de contratos, o que também fez atrasar os pagamentos dos terceirizados. O déficit é estimado pela equipe de Rollemberg em R$ 3,8 bilhões. Além da eleição, a política em 2014 no Distrito Federal foi marcada por condenações e prisões de políticos, corpo mole de deputados e tentativas de blindagem contra cassação.

Março
Arruda volta à política

Sem aparições públicas desde 2010, quando foi cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) por infidelidade partidária, e mais de quatro anos depois de ser preso durante a Operação Caixa de Pandora, José Roberto Arruda (PR) fez o primeiro discurso como futuro candidato ao Governo do Distrito Federal. No Park Way e acompanhado de Liliane Roriz (PRTB), então vice na chapa, Arruda tratou a prisão dele pela Polícia Federal e toda a investigação como uma ;tragédia que se abateu sobre nós; e disse que não tinha medo de enfrentar a campanha que começaria meses depois, pois não haviam conseguido ;torná-lo inelegível;.

Abril
#vaitrabalhardeputado

Com o início de ano menos produtivo da legislatura, deputados distritais fizeram uma reunião a portas fechadas, em 1; de abril, e decidiram que fariam as votações apenas às terças-feiras, enquanto o regimento da Câmara Legislativa determina que sejam feitas às terças, quartas e quintas. Os outros dias seriam dedicados à campanha eleitoral. O Correio aderiu aos apelos das ruas e, em uma série de matérias, usou a hashtag #vaitrabalhardeputado. A iniciativa foi encampada pela população, que passou a publicar nas redes sociais com a hashtag. Em resposta, os parlamentares começaram a comparecer às sessões e 2014 passou a ser o ano mais produtivo da legislatura. A iniciativa rendeu ao Correio dois prêmios, entre eles o Embratel regional.

Setembro
Arruda desiste de concorrer

Depois de várias derrotas consecutivas na Justiça e da pressão de aliados que temiam ficar fora da disputa, José Roberto Arruda desistiu de concorrer ao Governo do Distrito Federal. Os tribunais Regional Eleitoral (TRE) e Superior Eleitoral (TSE) negaram o registro da candidatura. Sem conseguir se sustentar, o ex-governador passou o bastão para o vice da chapa, Jofran Frejat (PR). A mulher de Arruda, Flávia Arruda (PR), entrou na disputa como vice do ex-secretário de Saúde do DF. Aos 77 anos, Frejat teve apoio de aliados e contou com Arruda na maior parte das caminhadas pelo DF. Ele teve 20 dias para tentar convencer o eleitorado brasiliense.

Luiz Estevão atrás das grades
Um dos homens mais poderosos do país não conseguiu ficar fora da cadeia diante das decisões da Justiça. Condenado por falsificação de documento público, Luiz Estevão foi preso pela Polícia Federal em casa, no Lago Sul. O ex-senador foi levado para a Superintendência da Polícia Federal, na Zona Oeste de São Paulo, mas logo acabou transferido para o presídio de Tremembé 2, uma das quatro unidades do complexo penitenciário de Tremembé, mesmo lugar para onde foram levados o médico Roger Abdelmassih, o casal Nardoni, os irmãos Cravinhos e Suzane von Richtofen. No mês seguinte, a Justiça Federal de Taubaté (SP) autorizou a transferência dele para o DF. Atualmente, o ex-senador cumpre pena no sistema semiaberto.


Outubro
Novidades nas eleições

No ano de 2014, pela primeira vez, os brasilienses participaram de uma eleição realizada com a biometria. No DF, a Justiça Eleitoral precisou substituir 29 urnas eletrônicas, a maioria por problemas no reconhecimento do leitor biométrico. Apesar disso, o pleito transcorreu sem grandes problemas. As eleições gerais de 2014 também tiveram a novidade de serem as primeiras com a aplicação da Lei da Ficha Limpa. De iniciativa popular, a legislação proíbe que políticos condenados em segunda instância, cassados ou que tenham renunciado ao cargo para evitar cassação disputem cargos eletivos por oito anos.

Família Roriz derrotada
As eleições também mostraram que o clã Roriz não tem mais tanta força no quadro político. Apenas Liliane Roriz (PRTB) conseguiu se eleger. Jaqueline Roriz (PMN) tentava uma vaga na Câmara dos Deputados, mas foi considerada ficha suja pela Justiça e desistiu da candidatura. Colocou o filho caçula, Joaquim Roriz (PRTB), para concorrer. O jovem, que levou o nome do avô para as urnas, foi o 14; mais votado e não conseguiu se eleger. Mas é o primeiro suplente da coligação. Sobrinho de Roriz, Paulo Roriz (PP) tentou se eleger deputado distrital, mas, assim como o restante da família com o sobrenome famoso, não conquistou uma vaga.


Agnelo fora do segundo turno
Mesmo com o mandato em andamento e a máquina pública na mão, Agnelo Queiroz (PT) não conseguiu reverter o alto índice de rejeição de seu governo. Não liderou as pesquisas de intenção de votos, foi abandonado por correligionários e não avançou nem para o segundo turno. Conseguiu 307.500 votos e ficou em terceiro lugar. O caso foi o segundo na história no DF. Em 2006, a governadora Maria de Lourdes Abadia perdeu a eleição, no primeiro turno, para José Roberto Arruda (PR). Abadia assumiu o GDF depois que o então governador, Joaquim Roriz, disputou uma vaga ao Senado Federal.

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