"Traição financeira" separa casais

"Traição financeira" separa casais

» VERA BATISTA
postado em 03/04/2015 00:00
 (foto: André Violatti/Esp. CB/D.A. Press)
(foto: André Violatti/Esp. CB/D.A. Press)



As incertezas econômicas e a instabilidade no mercado de trabalho podem causar sérios problemas na vida dos casais. Diante da uma crise financeira, a tendência, segundo analistas, é que as discussões aumentarem na proporção em que diminui a quantidade de dinheiro no bolso. Estudo do SPC Brasil aponta que 23% dos casais endividados brigam por causa de dinheiro e que 35% dos brasileiros não informam ao parceiro todos os gastos pessoais. Omitir quanto ganha, patrimônio ou montante das dívidas é ;traição financeira;, na análise de Dora Ramos, diretora da Fharos Contabilidade & Gestão.

;Contar com a ajuda e a confiança do parceiro, abrir mão de gastos desnecessários, dividir as despesas de forma justa e, acima de tudo, conversar são fatores que garantem um orçamento planejado e, ao menos no ponto de vista financeiro, uma vida saudável ao casal;, afirmou Dora Ramos. Mas dividir as contas nem sempre é fácil, principalmente quando se está desempregado.

;Às vezes, discutimos porque um de nós quer comprar um produto de um valor que poderá fazer falta meses depois. Mas, apesar do desentendimento, prevalece o bom senso;, garantiu o ajudante de obra Tadenes Ferreira Campos. É do salário de R$ 900 da mulher, Edilene Monteiro, que trabalha como operadora de caixa, que eles tiram o sustento. ;É o bastante para sobreviver. Então, todo fim de mês, sentamos juntos para examinar as despesas e analisar se há sobras para o consumo;, explicou a mulher.

Todo cuidado é pouco para não cair em armadilhas, alertou Wilson Justo, diretor de Marketing e Relacionamento da Sorocred. Segundo ele, mentiras podem destruir o casamento ou o convívio familiar. ;Compartilhar informações é fundamental. Só fazendo os cálculos, é possível apurar o tamanho do rombo e encontrar em conjunto uma saída;, disse. Se for preciso, o casal pode até buscar uma linha de financiamento. E, nesse caso, não basta apenas ver o percentual dos juros.

;O mais importante é o Custo Efetivo Total (CET), que inclui todas as taxas. Pesquise bastante, não aceite a primeira oferta;, reforçou Justo. Outro elemento que inquieta a maioria é o mimetismo social: na busca por ascensão e aceitação, a pessoa é capaz de qualquer coisa para ter um objeto igual ao do vizinho. ;Não adianta comprar o que não se pode pagar. É fundamental se adequar às próprias condições;, salientou.

O momento, é de redução radical dos gastos, complementou Paulo Ferreira Barbosa, professor de economia e empreendedorismo da Fundação Getulio Vargas. ;É claro que ninguém vai abrir mão totalmente do prazer. Mas não adianta ambicionar o carro do vizinho, de R$ 60 mil. Quem estiver em dificuldade, ao contrário, terá que trocar o seu automóvel de R$ 30 mil por outro pela metade do preço;, disse. Os maiores riscos de desembolsos por impulso, observou, estão nas datas festivas, como Páscoa, Dia das Mães e Dia dos Namorados.



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