Exploração é prioridade

Exploração é prioridade

Novo plano de negócios da estatal vai priorizar atividades de exploração e produção de petróleo e gás. Companhia promete melhorar gestão e retorno a acionistas

Simone Kafruni
postado em 27/05/2015 00:00
 (foto: Agência Petrobras - 21/7/14)
(foto: Agência Petrobras - 21/7/14)


O presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, admitiu que a companhia precisa focar a exploração e a produção de petróleo e gás no novo plano de negócios da estatal, que deve ser anunciado no mês que vem. A medida já era esperada, de acordo com especialistas, mas pode ter chegado tarde. Em mensagem direcionada aos acionistas que aprovaram o relatório de administração de 2014, Bendine garantiu que vai promover melhorias na gestão da empresa e no retorno acionário. A promessa, contudo, não animou o mercado. Ontem, as ações ordinárias da petroleira fecharam em queda de 3,40%, cotadas a R$ 13,36, e as preferenciais recuaram 3,20%, para R$ 12,39. O desempenho dos papéis da estatal contribuiu para a queda de 1,79% da Bolsa de Valores de São Paulo.

Bendine disse que serão necessárias grandes mudanças e uma redução no ritmo dos investimentos da companhia, em função da queda no preço do petróleo no mercado mundial, da valorização do dólar e da necessidade de diminuir o endividamento da empresa, que supera R$ 400 bilhões. ;A companhia decidiu postergar a conclusão de alguns ativos e projetos inclusos em seu plano de negócios 2014-2018. Concluída a divulgação dos resultados, focaremos nos desafios de médio e longo prazos. Estamos desenvolvendo um novo plano de negócios, no qual incorporaremos premissas econômicas que refletem o cenário atualmente vivenciado pela indústria do petróleo;, assinalou.

O presidente da estatal disse que almeja ;construir um plano sustentável sob a ótica do fluxo de caixa, levando em consideração os potenciais impactos na cadeia de suprimentos e na curva de produção;. Bendine ainda prometeu melhor retorno aos acionistas. ;A minha convicção é de que a Petrobras é e se manterá uma companhia rentável e eficiente, com significativos aprimoramentos em sua governança corporativa e cada vez mais centrada em retornos para seus acionistas e investidores;, concluiu.

Para o professor do Instituto de Energia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Adilson de Oliveira, o papel de Aldemir Bendine, ;que não é um homem do petróleo;, é reorganizar a vida financeira da companhia. ;Ele está dizendo que vai adequar os investimentos à capacidade financeira da empresa. Vai vender ativos para reduzir o endividamento e aumentar o fluxo de caixa. Não é nenhuma novidade, mas atende à expectativa do mercado;, disse.

Processos

Enquanto o presidente da estatal tenta injetar otimismo nos acionistas, as ações judiciais contra a petroleira se multiplicam nos Estados Unidos. Mais dois processos foram abertos contra a empresa na Corte de Nova York, de dois fundos de pensão ; um dos funcionários do Estado de Ohio e outro de um conjunto de regiões norte-americanas. A estatal já enfrenta seis ações individuais e uma coletiva na Justiça americana.

O processo do fundo de pensão do sudeste, sudoste e centro-oeste dos EUA, que tem US$ 18 bilhões em ativos e 300 mil beneficiários, acusa, além da Petrobras, as empresas de auditoria KPMG e PwC e os ex-presidentes José Sergio Gabrielli e Graça Foster. A ação do fundo de Ohio é dirigida contra ex-executivos da Petrobras.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação