Cameron defende reforço na fronteira

Cameron defende reforço na fronteira

Premiê britânico anuncia plano de levantar cercas e enviar policiais e cães aos pontos de saída do túnel que liga o país ao continente, para conter a imigração

postado em 01/08/2015 00:00
 (foto: Justin Tallis/AFP)
(foto: Justin Tallis/AFP)


Sob pressão para deter a chegada descontrolada de imigrantes que têm o Reino Unido como um dos destinos mais desejados na Europa, o primeiro-ministro David Cameron prometeu ontem aumentar o uso de cercas de segurança máxima ao redor das plataformas de acesso para veículos que cruzam o Eurotúnel, que liga a França à Inglaterra por sob o Canal da Mancha. Um reforço de cães farejadores deve ser destacado para as fronteiras para dificultar a infiltração de estrangeiros que buscam o Velho Continente fugindo de guerras, perseguições e pobreza extrema. O premiê lida, ainda, com as consequências de uma greve de funcionários do Porto de Calais, do lado francês do canal, e prometeu liberar um terreno público para que caminhões retidos em quilômetros de congestionamento possam estacionar.

Cameron descartou a proposta de um grupo de parlamentares para que o Exército fosse mobilizado na contenção do fluxo migratório. Após reunião com o comitê de emergência do governo, o premiê advertiu que a situação não será resolvida de uma hora para outra. ;Vamos adotar medidas corretas do princípio ao fim. Vamos começar ajudando os franceses do seu lado da fronteira, vamos colocar mais barreiras, mais recursos, mais equipes com cães farejadores, mais ajuda da maneira que pudermos;, destacou Cameron. ;Vai ser uma questão difícil por todo o verão;, admitiu.

A crise em Calais se arrasta há cerca de 15 anos, mas se acirrou nos últimos meses, com o aumento no número de imigrantes que se arriscam em trens e caminhões para cruzar o Canal da Mancha, além de mudanças nas táticas usadas pelos ilegais. Como resultado, britânicos e franceses trocam acusações e cobram da União Europeia decisões para aliviar o peso que a chegada de milhares de imigrantes representa para a economia e a segurança. Cameron e o presidente francês, François Hollande, conversaram por telefone sobre a ação conjunta na crise.

Risco

Na madrugada de ontem, milhares de ilegais voltaram a se aventurar na travessia para a Inglaterra, informaram fontes policiais. ;Durante a noite, foram frustradas mais de mil tentativas e feitas cerca de 30 prisões;, indicou um oficial ouvido pela agência de notícias France-Presse. O número de incidentes caiu ao longo do dia, segundo um funcionário do Eurotúnel, que destacou o reforço de 120 policiais britânicos. Nesta semana, cerca de 200 ilegais conseguiram completar o trajeto, entre mais de 4,2 mil que tentaram. Policiais confirmaram que centenas foram capturados e ao menos um foi morto. Desde o início de junho, o total de vítimas chega a nove.

A dura postura anti-imigração defendida por Cameron, que reage à pressão de grupos mais conservadores, foi fortemente criticada após ele denunciar ;um enxame de pessoas chegando pelo Mediterrâneo;, durante entrevista à emissora pública BBC. A líder interina da oposição trabalhista, Harriet Harman, afirmou que o premiê deveria ;lembrar que está falando de pessoas, não de insetos;. Até o líder do utradireitista Partido pela Independência do Reino Unido (Ukip), Nigel Farage, defensor de medidas mais duras contra os imigrantes, disse que ;jamais usaria linguagem similar;.



Barricadas no porto

Funcionários de uma empresa que opera a travessia do Canal da Mancha por mar, a partir de Calais, ergueram ontem barricadas para interditar o acesso ao porto, em protesto contra a ameaça de demissão de mais de 100 dos 487 empregados. A Justiça decretou ontem a falência da companhia My Ferry Link. Os trabalhadores estão em greve para exigir do governo a manutenção de todos os postos.

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