Japão sofreu grampo americano

Japão sofreu grampo americano

postado em 01/08/2015 00:00
 (foto: Joe Raedle/Getty Images/AFP)
(foto: Joe Raedle/Getty Images/AFP)

Autoridades e empresas do Japão também foram espionadas pela Agência de Segurança Nacional (NSA) norte-americana, revelou ontem o site WikiLeaks, causando embaraço ao primeiro-ministro Shinzo Abe no momento em que busca maior aproximação com Washington. A lista de ;35 alvos secretos; da agência no país inclui altos funcionários do governo, entre eles o titular do Comércio, Yoichi Miyazawa, mas não cita o premiê. São mencionados também dirigentes empresariais e o governador do Banco Central, Haruhiko Kuroda. Até a noite de ontem, não havia comentário oficial de Tóquio.

;Os documentos mostram a profundidade do monitoramento e o fato de que informações de muitos ministérios e departamentos governamentais foram recolhidas e analisadas;, afirma o WikiLeaks. De acordo com o relatório, a NSA tomou ;conhecimento detalhado; das discussões travadas no gabinete de Abe sobre as posições assumidas em disputas e negociações comerciais, além de monitorar ;projetos de desenvolvimento e a política japonesa para mudanças climáticas e energia nuclear;.

O rastreamento das comunicações nos altos escalões de Tóquio remonta ao primeiro e breve mandato que Abe exerceu em 2006. O político conservador voltou a chefiar o governo em 2012, em ;um contexto de forte aproximação com o aliado americano;, comentou para a agência de notícias France-Presse a pesquisadora Céline Pajon, especialista em Japão no Instituto Francês de Relações Internacionais (Ifri). Ela observa que Abe vem sofrendo internamente ;uma contestação considerável;. Portanto, a reação inicial ;poderá ser forte;.

Entre as informações colhidas pela NSA estariam ;memorandos sobre a estratégia do país nas relações com os EUA e a União Europeia, bem como o conteúdo de um briefing confidencial do primeiro-ministro, realizada na residência oficial;. As revelações do WikiLeaks coincidem com um momento delicado para Abe, que luta para aprovar no parlamento uma lei de defesa que permitiria o envio das Forças de Autodefesa a missões externas, em apoio a um aliado ; como os Estados Unidos. A iniciativa, que reinterpreta a Constituição pacifista do pós-Segunda Guerra Mundial, tem motivado protestos de dimensão incomum.

;Se isso for verdade, o Japão vai pedir explicações dos EUA, mas é pouco provável que isso tenha grande impacto nas relações bilaterais;, pondera Yoshinobu Yamamoto, professor de política internacional na Universidade de Niigata. Os dois países estão engajados nas negociações da Parceria Transpacífica (TPP), acordo de livre-comércio que deve incluir 12 países. ;Essa é também uma questão sensível;, acrescenta a estudiosa do Ifri. ;Grupos de interesse e partidos de oposição vão aproveitar a oportunidade.;



Na Flórida, contra o embargo
A favorita na disputa pela candidatura do Partido Democrata à Casa Branca, Hillary Clinton, foi ontem à Flórida defender a suspensão do embargo econômico imposto a Cuba desde 1962. Falando na Universidade da Flórida (foto), menos de duas semanas depois da reabertura das respectivas embaixadas em Washington e Havana, a ex-secretária de Estado defendeu que o bloqueio acabe ;de uma vez por todas;. ;Temos de substituí-lo por uma abordagem inteligente, que favoreça o setor privado e a sociedade civil, em Cuba, e a comunidade cubano-americana, para incentivar o progresso e a pressão sobre o regime;, discursou a pré-candidata. O reatamento de relações e a proposta de relaxar o bloqueio, lançada pelo presidente Barack Obama, foram criticados pelos pré-candidatos republicanos, em especial o senador Marco Rubio e o ex-governador Jeb Bush, ambos políticos da Flórida.

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