Encontro de gerações no Guará

Encontro de gerações no Guará

Um grupo de moradores reúne cerca de 500 pessoas na Quadra 19 em torno de músicas e brincadeiras antigas. Na 4, homens e mulheres se reencontram após décadas, em um dia de muitas lembranças

» Renata Rusky
postado em 17/08/2015 00:00
 (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)





O saudosismo contagiou os moradores do Guará no fim de semana. Eventos organizados pela comunidade resgataram o passado da cidade. Centenas reviveram a infância. Muitos, na companhia de filhos e netos. No sábado, uma pequena festa reuniu moradores e ex-moradores da Quadra 4. Ontem, mais de 500 pessoas passaram pela área central da Quadra 19 para curtir a primeira edição do Lazer das Antigas, com músicas e brincadeiras do século 20, como fliperama, futebol de botão, totó, corda e amarelinha.

Organizado por Miguel Edgar Alves, produtor cultural, com a ajuda do amigo Francisco Pinheiro e o apoio dos integrantes da Confraria Guará, da administração do Guará e da Polícia Militar ; cuja banda abriu a programação pela manhã ; o Lazer das Antigas teve a intenção de lembrar as festas realizadas, todo fim de semana, em quadras do Guará, há cerca de 40 anos. Os adultos puderam relembrar as brincadeiras da infância e apresentar às crianças jogos com os quais elas não tiveram contato. Também serviu de estímulo à diversão na rua.

As amigas Gabrielly Nunes, Guida Bernardes, Micaela Silva (as três de 12 anos), e Nathália Eduarda, 10, admitem serem viciadas em celular e brincarem pouco na rua. Contam que mal lembram a última vez que haviam pulado corda. ;Deu vontade de ser criança de novo;, comentou Gabrielly, após se divertir com as amigas no Lazer das Antigas. Nathália aproveitou para andar com o patins de Micaela. Nathália tem um, mas está encostado em casa, sem uso, há muito tempo.

Rock oitentista


Os irmãos Victor, 16 anos, e Vinícius Silva, 12, jogaram totó, também conhecido como pebolim. Já a mãe deles, a empresária Marta Magnólia, 44, curtiu o rock dos anos 1980 que uma banda tocava sobre um pequeno palco. A animação dela fez com que fosse merecedora de uma camiseta do evento. ;Eu tinha 15 anos quando ouvia essas músicas. O sangue até ferve;, ressaltou. Victor e Vinícius até costumam andar de skate e brincar na rua onde moram, no Jardim Mangueiral ; condomínio fechado ;, mas o videogame ainda é muito importante na vida deles, principalmente na de Vinícius, que joga cerca de três horas por dia.

No evento, todo mundo era bem-vindo. O organizador, Miguel, fez o possível para divulgá-lo aos pais com filhos que têm necessidades especiais. Pedro Gabriel Sampaio, 4 anos, tem síndrome de Down, o que, de forma alguma, fez com que se divertisse menos. Além da felicidade de relembrar os velhos tempos dela no Guará, a mãe de Pedro, Cláudia Sampaio, 49, parabenizou a organização pela inclusão, que considera, em geral, precária. ;Nós pintamos com tinta, brincamos com o vaivém;, contou a mãe. O pai de Pedro, Roberto Carlos, 50, gostou ao ver pula-pula ficar restrito, por um momento, às crianças com necessidades especiais.


"Todo mundo se conhecia, um levava bolo para a casa do outro,
deixávamos as portas abertas para quem quisesse entrar"

Sônia Santos,
ex-moradora da Quadra 4 do Guará

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