Mixagem paraense na voz

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Fafá de Belém lança o CD Do tamanho certo para o meu sorriso, que reúne composições de conterrâneos

» Irlam Rocha Lima
postado em 24/08/2015 00:00
 (foto: Fabio Bartelt/Divulgção)
(foto: Fabio Bartelt/Divulgção)


Fafá de Belém não tem dúvidas. Para ela, Terruá, nome dado à pluralidade da cena musical paraense, é resultante da fusão de sonoridades originárias da Rádio Marajoara, das chereiras do mercado Ver o Peso, das mangueiras, das chuvas e de antigos cabarés de Belém, e do caribe amazônico.


;Esse amplo espectro de sons existe no Pará há muito tempo. Mas a explosão do Terruá, que inclui ritmos e gêneros como carimbó, lambada, guitarrada, eletromelody e technobrega, se deu a partir de uma política cultural desenvolvida no estado;, afirma a cantora.


A partir daí, segundo Fafá, ;criou-se a possibilidade de artistas paraenses acontecerem nacionalmente;. Ela fala com propriedade, pois há 40 anos tem sido uma legítima representante da música do Pará no país e em outros continentes.


Isso se acentua em Do tamanho certo para o meu sorriso, álbum com 10 faixas em que predominam composições de autores conterrâneos, produzido pelos guitarristas Felipe e Manoel Cordeiro, que será lançado no próximo dia 25, pelo selo paulista Joia Moderna.

Choro e música

O insight para gravação do disco Fafá ocorreu há dois anos. ;Eu havia saído do Círio de Nazaré, após a procissão, e, ao chegar em casa, apareceu o Veloso Dias para mostrar Meu coração é brega, que havia feito pra mim. Assim que ouvi, comecei a chorar. Foi uma sensação igual à de quando conheci Vermelho, do Chico da Silva. Quis imediatamente gravar;, conta
Meu coração é brega norteou Do tamanho certo para o meu sorriso, pois levou Fafá a apostar quase todas as fichas em compositores paraenses. Ela foi armazenando o que recebia ; inclusive músicas de autores de outras regiões ; e, aos poucos, desistiu de um disco com remixes que gravaria para comemorar os 40 anos de carreira.


Quem a ajudou a decidir por esse projeto, em que predominam músicas inéditas, ;com sonoridade leve e fresca;, foi o DJ Zé Pedro. ;Ao mostrar as canções que estava ouvindo, ele se entusiasmou, sugeriu que eu convidasse os guitarristas Felipe Cordeiro e Manoel Cordeiro para produzir o CD, e me convidou para lançá-lo por sua gravadora, a Joia Moderna;.


Pai e filho, Manoel, mestre da guitarrada, e Felipe, destaque da nova geração de músicos do Pará, fizeram mais: eles tocam em todas as faixas ; não só guitarra, como também, violão e teclados ; são responsáveis pelas programações e assinam Asfalto amarelo, que tem Zeca Baleiro como parceiro. Com Ronery, Manoel compôs Vem que é bom.


Outros paraenses que marcam presença no repertório de Do tamanho certo para o meu sorriso: a legendária Dona Onete, com a passional Pedra sem valor, que lembra Ex-my love (o megahit de Gaby Amarantos); Firmo Cardoso, autor de Ao pôr do sol, com Dino Souza; e de Quem não te quer sou eu, com Nivaldo Fiúza. São dois exemplos bem acabados de bregas românticos, assim como Os passa vida, de Osmar Junior e Rabolde Campos, com linhas melódicas que flertam com a Jovem Guarda e o bolero.


No complemento do repertório há composições de três não paraenses. Revelação da moderna MPB, Jonny Hokker criou Volta, faixa de trabalho do álbum e que virou clipe. Por sugestão de Zé Pedro, Fafá regravou Usei você (Sílvio César) e Gosto de vida, feita para ela por Péricles Cavalcanti, gravada no LP Essencial, de 1982.


Do tamanho certo para o meu sorriso
CD de Fafá de Belém, produzido por Felipe Cordeiro e Manoel Cordeiro, com 10 faixas. Lançamento do selo Jóia Moderna. Preço médio R$ 25.

Ponto a Ponto/ Fafá de Belém

Carreira
;Mesmo sem lançar disco há oito anos, continuo em plena atividade, com a agenda cheia de compromissos. Tenho me apresentado no Brasil e no exterior com dois shows. Um, Fado tropical, mais intimista, de voz e piano, só com canções de Chico Buarque; e outro bem popular, acompanhada por banda, em que interpreto os hits da minha carreira;.

EPs
;Nesse intervalo, gravei dois Eps. Um deles de preces, cantando as Ave Marias, muito bem acolhido pelo público;.

Papas
;Sou a cantora dos papas. Já cantei para três deles. Em julho de 2013, cantei Nossa Senhora, de Roberto Carlos, para o Papa Francisco, em Copacabana.

Varanda
;No Círio de Nazaré, há quatro anos comando a Varanda de Nazaré, o primeiro e mais importante camarote artístico, com a presença de convidados ilustres para assistirem à procissão, precedida de uma programação que inclui show noTheatro da Paz e sarau com a participação de artistas paraenses;

Paranambucano
;Tenho feito há seis anos no carnaval de Recife o Paranambucano, encontro do frevo com os ritmos paraenses guitarrista Felipe Cordeiro, que tem a participação do guitarrista Felipe Cordeiro, do grupo de percussão e ;.. e de músicos de sopro da capital pernambucana;.

Amizade
;Conheci Gabi Amarantos quando ela estava se lançado em São Paulo e fez um show no Auditório Ibirapuera. Achei a apresentação dela muito interessante. Depois por sugestão do jornalista Eduardo Logullo e do produtor Rodrigo Araújo, a levei para fazer um show na boate GLS A Lôka, e nos tornamos amigas. Por conta das nossas agendas, não nos vemos com frequência. A encontrei aí em Brasília, no Congresso Nacional, quando da votação da PEC da Música;

Manifestações
Me emocionei ao ver pela televisão as manifestações de rua há dois anos. À época, fazia shows em Portugal. Aqueles jovens estavam ali eram os herdeiros dos participantes dos comícios das Diretas, reinvindicando o que foi prometido e não cumprido nas áreas da educação, saúde e segurança. São respostas que os governantes, políticos e a sociedade civilo precisam dar ao povo brasileiro. brasileiro.

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