Após os tiros, o octógono

Após os tiros, o octógono

Baleado na adolescência, Guto Inocente mudou de vida por meio das lutas e hoje tenta voltar ao UFC

postado em 03/09/2015 00:00
 (foto: UFC/Divulgação)
(foto: UFC/Divulgação)

Após ser baleado no peito durante briga de gangues na adolescência, o brasiliense Guto Inocente decidiu mudar de vida. O caminho foi o MMA. Ex-UFC, hoje o atleta briga por cinturões para voltar a lutar no evento mais famoso do mundo.
As lembranças daquele fim de tarde de uma segunda-feira em 2003, porém, seguem intocadas. O tiro atravessou o lado direito do peito e saiu pelas costas. Carlos Augusto Inocente, apelidado Guto, sentia jorrar o sangue quando ouviu mais duas balas. Aos 17 anos, estava com amigos na frente do Setor Leste. Os alunos saíam do colégio para pegar o ônibus escolar de volta para casa.


Embora Guto nunca tenha estudado lá, o local era ponto de encontro dos colegas da Asa Sul, que se organizavam em uma gangue. Além de se reunirem por diversão, os garotos pichavam muros, batiam carros e chegaram a ser internados no Centro de Atendimento Juvenil Especializado (Caje) por alguns dias. Os pais costumavam buscá-los nas delegacias do Plano Piloto.
Também eram frequentes conflitos com meninos de outras Regiões Administrativas. A presença de armas era normal, mas os adolescentes estavam acostumados apenas com tiros para o alto. Daquela vez, porém, o atirador mirou na direção dele. Disparada de dentro do ônibus escolar, a primeria bala foi certeira. As outras duas erraram o alvo.


Guto não conseguiu pensar em nada. Saiu correndo com um amigo, que temia pela vida dele, e o levou de carro a um hospital. Por sorte, exames revelaram que o tiro não perfurou nenhum órgão interno. Nervos do braço direito foram levemente danificados. Depois de repor o sangue perdido, ele prestou depoimento à polícia e foi liberado.


Antes de levar o filho para casa, o pai, Carlos Inocente, reuniu Guto e os amigos na beira da maca e teve uma conversa da qual o adolescente nunca se esqueceu. ;Se vocês gostam de brigar, na rua não dá. Uma hora alguém pode morrer. Vamos treinar pra vocês lutarem profissionalmente, com quem sabe;, propôs.

Promessa
Por influência do pai, Guto treina desde criança modalidades como jiu-jítsu, muay-thai e boxe. A partir do incidente aos 17 anos, decidiu se dedicar à luta com disciplina. No kickboxing, carro-chefe da carreira, conquistou cinco títulos brasileiros, três sul-americanos, três pan-americanos e um vice mundial.


Em 2011, Guto ingressou na equipe Blackzilians, em Delray Beach, na Flórida (EUA). Apontado como um dos principais nomes brasileiros para a organização, ele fez duas lutas na competição em 2014, mas perdeu ambas. Segundo diz, estava fora de ritmo devido a cirurgias nas mãos e nos joelhos que o impediram de participar de combates por dois anos.


A fim de conquistar uma nova chance no UFC, o brasiliense participar de competições com mais frequência. Assinou contrato de pelo menos quatro lutas no Absolute Championship Berkut (ACB), da Rússia. No Brasil, vai disputar no sábado, com Felipe Micheletti, o cinturão do WGP, campeonato brasileiro de kickboxing, em Guarapuava (PR).

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação