Calvície canina

Calvície canina

Problemas genéticos, hormonais ou dermatológicos podem desencadear a perda de pelos em cães

postado em 13/09/2015 00:00
 (foto: Carlos Moura/CB/D.A Press)
(foto: Carlos Moura/CB/D.A Press)
Já imaginou um pet careca? A calvície canina é um problema incomum, mas que pode acontecer com qualquer animal. ;É uma condição extremamente rara. Entretanto, existem outros problemas de saúde que fazem os fios caírem também. Como dermatites e questões hormonais, por exemplo;, explica Luiz Fernando Machado, médico veterinário, especializado em dermatologia.

Diversos fatores podem favorecer a queda dos pelos. ;Alteração genética, fisiopatias, doenças parasitórias, fungos e quedas hormonais;, explica Fernanda Ramos, dermatologista veterinária. Apesar de rara, a calvície genética não é um problema muito grave. ;O mais complicado é quando essa perda é gerada por uma doença específica, como hipotireoidismo, hiperadrenocorticismo e hiperestrongenismo, fungos ou bactérias; explica a especialista. Segundo a veterinária, o mais importante é sempre fazer um diagnóstico correto para diferenciar as enfermidades.

Quando a causa está no DNA, o problema costuma se manifestar cedo e pode ocorrer em ambos os sexos. O primeiro sinal é o pelo do animal começar a cair lentamente. O cabelo do bicho vai se transformando em uma penugem, até chegar no ponto de cair completamente. ;A alopecia (área sem pelo) geralmente é simétrica e se inicia na base da orelha, passa pela região ventral (tórax e pescoço) e chega até a posterior da coxa;, explica Talita Borges.

A cadelinha Flor tem 9 anos e sofre com a calvície canina genética. Em uma situação rara, a queda de cabelo atingiu a região das orelhas. Aos 2, a queda de pelo na cabeça começou, mas a pinscher convive muito bem com o problema. A suspeita inicial foi sarna. Depois de um exame de raspagem de pele, não foi detectado nenhum parasita ou agente causador do problema naquela região. ;Levamos ao consultório veterinário e lá foi constatado que se tratava da calvície canina;, conta a dona da do pet, Estela da Silva Gomes.

Em dias mais secos, Flor não dispensa um hidratante corporal próprio para animais. ;Ela adora Sol, nunca teve nenhum problema de pele;, conta a auxiliar de enfermagem. Apesar da idade já avançada, a cadelinha apresenta um bom estado clínico de saúde. Além dela, Estela mantém mais um cachorro em casa, que não apresenta nenhum sinal de queda de pelo.

A calvície não se estende somente na cabeça. Pode atingir várias áreas do corpo e, em casos mais extremos, deixar o animal completamente pelado. A condição também não tem uma razão exata. ;Existe um componente genético já que algumas raças são predispostas, mas é diferente do homem, por exemplo, pois não tem predileção sexual (macho/fêmea) e é comum aparecer com os animais ainda jovens;, afirma Talita.

A perda de pelos se inicia geralmente a partir dos 6 meses de vida. A falta de cabelo vai acometer principalmente a região das orelhas, parte ventral do pescoço, toráx e até mesmo o abdômen pode ser atingido. O diagnóstico da calvície é realizado por meio de biópsia da pele e da análise histopatológica. Antes de uma confirmação, o cão deve passar por uma criteriosa avaliação dermatológica para detectar ou descartar doenças hormonais, micose, sarna, alergias, fungos ou bactérias. ;É feito com base nos sinais clínicos e descartando todas as outras possibilidades de alopecias, como displasias foliculares e histórico de uso tópico de medicações que podem induzir a queda de pelo (corticoides);, explica a veterinária.

A calvície genética não acarreta em nenhum problema secundário. ;Depois de detectar a doença, o maior cuidado deve ser com a proteção solar do pet;, explica Borges. Alguns cuidados são extremamente necessários. A pele fica mais sensível, então é importante não abusar da exposição ao Sol. ;Recomendamos levar o cão para passear antes das 9h e depois das 16h. Também devemos passar protetor específico para pets e colocar bonés nos animais;, explica o veterinário Luiz Fernando Machado.

Tratamento
Medicações orais ou remédios externos, como pomadas e sprays manipulados, são usados no tratamento. ;Geralmente, esses medicamentos dão boa resposta. Mas também depende da área afetada e da extensão da alopecia;, alerta a veterinária Talita Borges. Não existe prevenção. ;Quando é causada por um gene, não existe como prevenir. Mas quando o agente causador é algum fungo ou bactéria, a solução é levar o animal sempre ao veterinário e ficar atento a qualquer alteração no pelo do bicho;, explica Marco Aurélio Gomes, veterinário.

Acessórios do mal
Lacinhos de cabelo e acessórios podem gradativamente culminar na queda de pelo do animal, principalmente no centro da cabeça. ;Nesse caso, não é chamado de calvície, pois ela é induzida por um trauma, chamamos de alopecia por tração;, afirma o veterinário. Com o tempo, os folículos podem nunca mais crescer no local. ;Esses acessórios vão arrancando o pelo até chegar um ponto em que os fios não se reconstituem mais;, explica Gomes.

Raças mais comuns

Confira os cães mais propensos a desenvolver o problema
  • Pinscher
  • Dachshund
  • Boxer
  • Chihuahua
  • Boston terrier
  • Whippet
  • Teckel
  • Greyhound

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