A grande torcida por Kayke

A grande torcida por Kayke

Familiares do brasiliense do Fla estão entre os 67 mil que vão ao Mané. Coritiba tem seus candangos

Maíra Nunes
postado em 17/09/2015 00:00
 (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)



Os torcedores do Flamengo que moram em Brasília acordaram ansiosos pelo confronto, às 21h, contra o Coritiba, no Mané Garrincha. Os mais afoitos fizeram coro para recepcionar a equipe na chegada ao aeroporto, ainda na tarde de ontem. Os tranquilos, que deixaram para comprar ingressos na véspera do jogo, se frustraram com a notícia de que os bilhetes haviam esgotado. Há, ainda, os que, além apaixonados pelo time, têm um motivo mais que especial para comparecer à festa: os familiares e amigos do atacante rubro-negro Kayke.

O jogador nasceu e viveu em Brasília até os 8 anos. Depois, mudou-se para o Rio de Janeiro, cidade do pai. A mãe, Rose Moreno, se diz apaixonada pela Cidade Maravilhosa desde que conheceu as praias cariocas, ainda moça. ;Nessa época, víamos que o Kayke tinha um futebol acima da média das outras crianças;, conta Rose.

Em 1996, quando conseguiu transferência no trabalho, Rose deixou a capital. ;Tudo calhou para irmos para lá. A questão do Kayke não foi decisiva, mas aproveitamos para colocá-lo na escolinha do Zico e tudo fluiu;, emendou. Da capital, o brasiliense guardou os laços com os familiares de sangue e os ;tios e primos tortos;, como a tia e madrinha Cláudia, que vive em Brasília, descreve: ;São os amigos que não são parentes, mas que são considerados da família. Temos muitos;.

O ;tio; Roberto Derziê se enquadra na categoria. Vizinho de infância da mãe de Kayke, ele viu o garoto bom de bola crescer, brincando com os próprios filhos. Roberto chegou a treiná-lo no Minas Tênis Clube para competir em um campeonato pré-mirim. ;O time tava mal das pernas e eu assumi. Ganhamos e o Kayke foi o artilheiro;, lembra.

Apesar da distância, o contato se manteve. A ponte aérea Brasília-Rio não para entre os amigos e parentes de Kayke. EDe vez em quando, os voos se estendem por outras regiões do Brasil. ;Fomos ver o Kayke jogar em Natal, quando ele jogava no ABC;, lembra a tia Nehylza de Andrade. O esposo dela, por sinal, fez questão de antecipar a passagem de volta de Rondônia, onde está trabalhando, para ver o sobrinho jogar, hoje, no Mané.

A maioria da família é composta por flamenguistas. Afinal, foi no time carioca que Kayke atuou na base e retornou nesta temporada, aos 27 anos. Tem um ou outro vascaíno para fazer o papel de rebelde ; ou não lembraria uma família de verdade. Esses, porém, arrumaram um jeito de não confessarem que viraram a casaca por conta do atacante. ;Eles dizem que torcem pelo Kayke Futebol Clube;, entrega a tia Nehylza.

Neste caso, a torcida pelo arquirrival é até desculpada. Afinal, mesmo tendo passado por times de várias partes do mundo, Kayke é um garoto família. Nas redes sociais, os tios e os primos exibem, orgulhosos, cada gol do atacante ou lances de destaque. Para retribuir, hoje, a sobrinha do jogador, Nina, de oito anos, vai entrar junto com o padrinho no campo, antes da partida. Com casa cheia, emoção não vai faltar à torcida ; muito menos ; aos fãs incondicionais do camisa 27 do time da Gávea.

Mais candangos

Apesar de todos os holofotes que Kayke vem recebendo, ele não será o único brasiliense em campo hoje, no Mané Garrincha. Do lado do Coritiba, o atacante Henrique, 24 anos, também nasceu no DF e o goleiro reserva Vaná, 24, é de Planaltina. Henrique foi revelado pelo Atlético-PR e se transferiu ainda na base para o São Paulo, onde começou a carreira profissional. No clube paulista, foi convocado para a Seleção Brasileira Sub-20. Foi o artilheiro do Mundial da categoria em 2011, na Colômbia. Depois de rodar por Vitória, Granada da Espanha, Sport, Real Madrid Castilla, Bahia e Botafogo, foi emprestado ao Coritiba até o fim do ano.

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