Cinema para quem gosta

Cinema para quem gosta

» Nahima Maciel
postado em 17/09/2015 00:00
 (foto: Nahima Maciel/CB/D.A Press)
(foto: Nahima Maciel/CB/D.A Press)




Walter Carvalho faz uma homenagem à criação cinematográfica em Um filme de cinema, que abriu a primeira noite do 48; Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Durante o debate sobre o longa realizado na manhã de ontem, o diretor paraibano falou que o filme se destina principalmente às pessoas que apreciam a sétima arte. ;É um filme para quem gosta de cinema, para quem não tem mais cura;, disse.

Carvalho dividiu a mesa de debate com Cláudio Assis, personagem de Um filme de cinema e diretor de Big jato, longa selecionado para a mostra competitiva. ;Para mim, esse é o melhor filme do Walter Carvalho. É um filme que mostra como essas pessoas criam. Eu fiquei muito emocionado. Serve para as pessoas compreenderem o que é ver cinema;, disse Assis.

A obra de Walter Carvalho reúne entrevistas com 13 cineastas de vários países para falar sobre a criação e o destino da arte cinematográfica. Nas primeiras cenas, Walter Carvalho mostra um cinema em ruínas, uma espécie de metáfora sobre uma eventual morte do cinematografia. ;O cinema não acaba nem que seja desaparecido; , garantiu Cravalho, durante o debate. ;O filme não serve para nada, a não ser uma base para você começar a pensar o cinema;, explicou.

O diretor contou que encontrou o cinema em ruínas no sertão de Pernambuco, quando filmava Madame Satã, de Karim A;nouz. Um tempo depois de terminar o longa de A;nouz, ele voltou ao local para realizar as imagens que mais tarde norteariam Um filme de cinema. No longa, Carvalho também volta às locações de Cinema paradiso, de Giuseppe Tornatore.

Durante o debate, o diretor foi questionado sobre a pertinência do bloco dedicado ao filme de Tornatore em Um filme de cinema. ;É um caráter afetivo, emocional, melancólico que faz parte da minha personalidade e é sobretudo um caráter histórico;, contou o diretor, que entrevistou atores e figurantes de Cinema paradiso. ;Pra mim, tudo vem da pintura. Ou melhor, tudo vem do renascimento. Digo isso há 20 anos e as pessoas não acreditam, isso não repercute;, disse.

Carvalho garantiu que não quis fazer um filme didático. Durante o debate, foi questionado várias vezes sobre essa classificação. ;Se esse filme fosse todo bonitinho, todo cinemascope, ficava didático;, disse.

Tecnologias
Um filme de cinema recolhe entrevistas realizadas durante 14 anos. Ao longo desse tempo, Carvalho experimentou diversas tecnologias que foram sendo desenvolvidas na última década. ;É um filme de época porque perpassa a tecnologia;, reparou.

Durante o debate, a plateia também questionou sobre a presença de uma única mulher entre os entrevistados e a ausência de créditos para os entrevistados durante o longa. Os créditos aparecem, mas apenas ao final do filme. ;Ainda vou aprender uma coisa que não aprendi, que é fazer um teste de audiência;, brincou. ;Na minha cabeça, para citar o Luiz Fernando Carvalho, acho que tem que apagar a luz da sala e soltar os demônios para ver o que vai acontecer. Se fizer teste de audiência, vou esquizofrenizar o processo. No momento em que você oferenda o filme para o espectador, ele não mais te pertence;, explicou.

Sobre a quase ausência feminina ; a argentina Lucrecia Martel é única mulher entrevistada ;, Carvalho disse que não foi intencional. ;Não tenho nada contra as mulheres. Não foi uma escolha, uma opção, foi acontecendo. ;


Glauber Polanski
A abertura do Festival de Brasília concedeu-me um sentimento de alívio. Enfim, gente bonita, pra cima, circulou no salão! Estava chato bater de frente sempre com as mesmas figuras carimbadas, sempre os mesmos papinhos estéreis. O festival está definitivamente re-no-va-do! Até a presença do governador Rollemberg, depois de esvaziar meus bolsos com um pacote econômico draconiano, parecia radiante ao lado dos mestres Vladimir e Walter Carvalho. Na pracinha de alimentação, um ambiente agradabilíssimo (ainda bem que não choveu). Não tive tive tempo de reclamar na hora, estava faminto, mas o hambúrguer gelado que comi num food truck do local foi sacanagem. Gourmet?




Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação