Dia de celebração!

Dia de celebração!

Em homenagem à data nacional do samba, cidade terá eventos em valorização do papel social e cultural do gênero

» ADRIANA IZEL » IRLAM ROCHA LIMA
postado em 02/12/2015 00:00
 (foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press - 21/10/09 )
(foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press - 21/10/09 )


É praticamente impossível pensar em samba e não visualizar logo uma roda. O ato de reunir os artistas em círculo é uma das bandeiras que os músicos brasilienses tentam defender no cenário cultural da cidade. ;Esse símbolo é importante porque aproxima as pessoas. A roda de samba é a voz do povo;, analisa a cantora Cris Pereira. ;O samba tocado nas rodas é o samba de resistência, dos compositores antigos, que fala do cotidiano, do subúrbio, das escolas. É sua essência e filosofia;, completa o músico João Peçanha.

Uma das rodas mais tradicionais é realizada há nove anos na plataforma inferior da Rodoviária do Plano Piloto sempre no Dia Nacional do Samba, celebrado hoje, por idealização dos músicos Sérgio Magalhães, Cris Pereira, Guto Martins e Breno Alves. ;São nove edições consecutivas. A impressão que eu tenho é que durante o ano todo é como se esse evento fosse maturado. No dia, as pessoas vão comparecendo e se torna uma grande confraternização. Ele demarca o espaço do samba na cidade e na vida das pessoas;, diz Cris Pereira.

Neste ano, a Plataforma do Samba volta a ocupar a rodoviária das 16h às 20h. No local, várias mesas serão dispostas lado a lado para receber em torno de 50 sambistas, que se revezarão na celebração. ;Estamos muito felizes, o evento vai mais uma vez para a rua. Mesmo sem termos apoio institucional. É organizado pelos sambistas, cada um leva o que pode e as coisas acontecem;, lembra a cantora.



Além da data nacional, a roda, que é totalmente gratuita, homenageará o saudoso Manoel Brigadeiro, ;o embaixador do samba de Brasília;, morto em 21 de março. ;Além do tributo a Brigadeiro, vamos promover um ato contra a intolerância em relação às religiões de matrizes africanas;, anuncia Tâmara Jacinto, que dirige a Padê Produções (responsável há três anos pelo evento) com Cris Pereira, Raquel Martins e Sara Loiola.

Sérgio Magalhães junta sua voz à de Tâmara: ;O samba é uma expressão cultural que nasceu nos terreiros de candomblé. Por isso, por meio do samba, reverenciamos nossos ancestrais. É preciso que as autoridades tenham uma postura mais enérgica contra esse tipo ação criminosa, contra a intolerância racial e religiosa;.

Mais e mais

Ao longo da semana, o Dia Nacional do Samba permeará diversos eventos organizados pelos artistas da cidade. No sábado, por exemplo, o projeto Poetas do Samba, composto por músicos da Velha Guarda brasiliense, terá uma edição especial que contará com participação de Eugênio Monteiro, Daniel Júnior, Carlos Elias e Sérgio Magalhães, na ASSTJ, no Setor de Clubes Sul, a partir das 16h. ;O nosso objetivo é relembrar poetas esquecidos e resgatar os sambas antigos;, afirma Cássia Portugal, uma das integrantes do projeto.



Nesse mesmo dia, às 21h, o projeto Samba na Rua relembra em roda de samba a data, com participação dos cantores Jean Mussa e Teresa Lopes. ;Acredito que a cultura do samba tem crescido em Brasília. E isso é muito importante porque a roda de samba é um ambiente popular. Ela tem o poder de agregar e unir as pessoas;, defende a cantora Fernanda Jacob, responsável pelo evento que é sempre realizado no Círculo Operário do Cruzeiro. ;Mussa colocará no show o samba de partido alto, enquanto Teresa levará o canto dos orixás e essa força da música afro-brasileira;, completa sobre a noite de apresentação.



No domingo, outro grupo tradicional de roda de samba, Já chegou quem faltava, prestará sua homenagem, com edição especial que também celebrará Candeia, Clementina de Jesus e Waldir 59, integrante da Velha Guarda da Portela que morreu na última semana. ;Essa é uma oportunidade de chamar atenção para a cultura do samba. As pessoas enxergam como um estilo, uma balada, uma possibilidade de curtir com os amigos, mas esquecem a sua função social e cultural, sua origem e raízes, sua resistência;, afirma João Peçanha, músico do projeto Já chegou quem faltava. ;Brasília é um celeiro de músicos do samba. Fazemos nosso trabalho aqui e defendemos essa bandeira com muito respeito;, diz.



"O samba tocado nas rodas é o samba de resistência, dos compositores antigos,
que fala do cotidiano, do subúrbio, das escolas. É sua essência e filosofia;

João Peçanha, músico



Vem pra roda!

; Plataforma do samba
Plataforma inferior da Rodoviária do Plano Piloto. Hoje, das 16h às 20h, com participação de vários artistas e projetos da cidade como Adora Roda, Filhos de Dona Maria, Bom Partido, Samba da Comunidade, Samba na Rua, Samba do Compositor, Lucas de Campos, Vinícius Magalhães, Teresa Lopes, Cris Pereira, Anna Cristina, Marquinhos Benon, Ana Reis, Kris Maciel, Cássia Portugal, Alessandra Terribili, Nãnan Matos, Fernana Jacob, Milsinho, Naiara Lira, entre outros. Entrada franca.

; É samba, é festa!
Feitiço Mineiro (CLN 306, Bl. B; 3272-3032). Amanhã, às 22h, homenagem ao Dia Nacional do Samba com show de Salomão di Pádua e Lúcia de Maria. Couvert a R$ 25.

; Segue o baile
Outro Calaf (SBS, Qd. 2, Bl. Q, Lj. 5/6; 3322-9581). Sexta, às 22h, show de Dhi Ribeiro e convidados em comemoração ao Dia Nacional do Samba. Ingressos a R$ 10 (até 21h), R$ 20 (até 23h) e R$ 30 (após).

; Dia Nacional do Samba
Sede da Aruc (AE 8, Cruzeiro Velho). Sábado, às 13h, com show de Dhi Ribeiro, Oton Neves com Kanella de Cobra, Júlio Oliveira no comando do Samba Show e Anderson Chaves Rosa com a Bateria Ritmo Quente (Aruc). Ingressos a R$ 25 (antecipado, com direito a feijoada) e R$ 25 (na hora, com direito a feijoada).

; Poetas do Samba
ASSTJ (SCES, Tc. 1, Lt. B). Sábado, às 16h, edição em homenagem ao Dia Nacional do Samba com o grupo Poetas do Samba e participação especial de Eugênio Monteiro, Daniel Júnior, Carlos Elias e Sérgio Magalhães. Entrada a R$ 10.

; Samba na Rua
Círculo Operário do Cruzeiro (SRE/S AE Lt. 9). Sábado, às 21h, com edição especial à data nacional do samba com músicos da roda de samba e participação de Jean Mussa e Teresa Lopes. Entrada a R$ 10.

; Já chegou quem faltava
Círculo Operário do Cruzeiro (SRE/S AE Lt. 9). Domingo, às 16h, roda de samba em comemoração também ao dia nacional com homenagem a Clementina de Jesus, Candeia e Waldir 59. Entrada a R$ 10.


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