Recessão se agrava e PIB cai por dois anos

Recessão se agrava e PIB cai por dois anos

Analistas ouvidos pelo BC estão mais pessimistas em relação à economia no ano que vem. Serão duas quedas seguidas da atividade, o que não se vê desde o início da década de 1930

postado em 22/12/2015 00:00

Nelson Barbosa tomou posse ontem no comando do Ministério da Fazenda com os especialistas cada vez mais pessimistas em relação à economia. Pesquisa divulgada pelo Banco Central mostra que a recessão vai se agravar em 2016, consolidando dois anos seguidos de queda do Produto Interno Bruto (PIB), o que não se vê desde 1930 e 1931. Pelas projeções dos analistas, a contração da atividade em 2015 será de 3,7% (na semana passada, o consenso era de queda de 3,62%) e de 2,8% no ano que vem. Não por acaso, o ministro ouviu, no último fim de semana, relatos de técnicos da equipe econômica de que o país está em colapso.

Apesar desse quadro dramático, o mercado acredita que o Banco Central cumprirá a promessa de aumentar a taxa básica de juros (Selic) a partir de janeiro próximo. O discurso de diretores da autoridade monetária nfgesse sentido tem se tornado cada vez mais frequente e forte. A perspectiva é de que a Selic passe dos atuais 14,25% para 14,75% ao ano logo na primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de 2016. É possível que a taxa básica chegue a 15,25% já em abril, afim de reverter o pessimismo e para que o BC possa cumprir a promessa de evitar que a inflação do próximo ano supere o teto da meta, de 6,5%, e se acomode no centro da meta, de 4,5%, ao fim de 2017.

A pressa do BC em aumentar os juros tem justificativa. As previsões para a inflação não param de piorar. Segundo os analistas ouvidos pela instituição, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechará este ano em 10,70%, a maior taxa desde 2002, quando o Brasil mergulhou em uma crise provocada pela desconfiança do que seria o governo conduzido por Luiz Inácio Lula da Silva. Para 2016, o que é mais traumático à autoridade monetária, a projeção subiu de 6,80% para 6,87%. Em relação aos próximos 12 meses, a estimativa é de carestia de 7,04%. Na avaliação do BC, é preciso que o novo ministro da Fazenda faça um ajuste fiscal consistente para reverter as perspectivas negativas para a inflação.

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