Varejo tem a maior retração em 12 anos

Varejo tem a maior retração em 12 anos

Vendas recuam 7,8% em novembro de 2015 na comparação com o mesmo período de 2014. Incluindo veículos e materiais de construção, o tombo chega a 13,2%

» RODOLFO COSTA
postado em 14/01/2016 00:00
 (foto: Antonio Cunha/Esp. CB/D.A Press - 30/9/13)
(foto: Antonio Cunha/Esp. CB/D.A Press - 30/9/13)



A recessão está arrastando o varejo para a pior crise em mais de uma década. Diante da inflação acelerada, das altas taxas de desemprego e dos juros elevados, as vendas do comércio tiveram queda de 7,8% em novembro passado, na comparação com o mesmo período de 2014, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado mensal da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgado ontem, foi o pior desde março de 2003, quando houve queda de 3,7%. No acumulado dos 11 primeiros meses de 2015, as vendas desabaram 4%.


No varejo ampliado, que incluí os segmentos de veículos e materiais de construção, a retração foi ainda mais intensa: 13,2% somente em novembro. A queda só não foi maior devido às promoções da Black Friday. Com uma vasta oferta de produtos em liquidação, nos mais diversos segmentos, os consumidores aproveitaram a data, celebrada em 27 daquele mês, para antecipar as compras de Natal. Isso permitiu que as vendas totais tivessem crescimento de 1,5% em relação a outubro, avaliou João Morais, economista da Tendências Consultoria. ;Boa parte dessa expansão ocorreu com dinheiro proveniente de economias feitas pelas famílias e com o adiantamento da primeira parcela do 13; salário;, disse ele.


O efeito positivo, entretanto, não deve se repetir em dezembro. ;O que aconteceu foi uma migração do consumo normalmente realizado em dezembro, com as compras de Natal, para novembro. Mas foi um movimento pontual, que tende a não se sustentar;, ponderou Morais. Por causa desse deslocamento, ele acredita que o resultado de dezembro deve mostrar queda no comparativo mensal.


Com a perspectiva de mais um recuo nas vendas, Morais prevê que o dado consolidado de 2015 mostrará retração de 4,4% no varejo restrito e um tombo de 8,6% no comércio ampliado, o que reforçaria os piores resultados da série histórica da pesquisa realizada pelo IBGE, inciada em 2000. Nesses patamares, o setor deve apresentar, pela primeira vez, uma contratação maior que a do Produto Interno Bruto (PIB), prevista em 3%, segundo analistas de mercado. ;Em decorrência da alta dos preços, do recuo da massa salarial e do encarecimento e da escassez de crédito, esse cenário é inevitável;, avaliou o economista da Tendências.

Atividades

A crise no setor é disseminada. Dos 10 segmentos do varejo ampliado, apenas o de artigos farmacêuticos e de perfumaria não teve queda nas vendas de novembro em relação ao mesmo período do ano anterior ; ao contrário, o faturamento cresceu 2%. Nas demais áreas, o cenário é desolador. Até mesmo no grupo de hiper e supermercados, produtos alimentícios e bebidas, que abrange bens essenciais, houve recuo: 5,7%, a décima redução mensal consecutiva nessa base de comparação. Com os juros altos, setores que dependem mais de crédito tem sido os mais afetados No caso de móveis e eletrodomésticos, as vendas despencaram 14,7%.





Em Brasília, queda de 8%
Entre todas as 27 unidades da Federação, apenas o comércio de Roraima apresentou de crescimento. No Distrito Federal, em contrapartida, o setor vai de mal a pior. Em novembro, as vendas caíram 8% em comparação ao mesmo período de 2014. Em 12 meses, e no acumulado do ano, as quedas foram de 5,7% e de 5,8%, respectivamente. Em ambos os casos, o recuo foi puxado, principalmente, pelo segmento de móveis e eletrodomésticos, que recuou 21,9% no ano e 21,7% em 12 meses, os piores níveis entre todos os estados.






Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação