Governo tem rombo recorde em maio: R$$ 15,5 bi

Governo tem rombo recorde em maio: R$$ 15,5 bi

postado em 29/06/2016 00:00
 (foto: Valter Campanato/Agência Brasil)
(foto: Valter Campanato/Agência Brasil)


Com gastos ainda elevados, e a receita de impostos corroída pela retração econômica, as contas públicas vão de mal a pior. Em maio, o governo central (Tesouro, Previdência e Banco Central) registrou deficit de R$ 15,5 bilhões. Foi o pior resultado para o mês da série histórica, iniciada em 1997. Nos cinco primeiros meses do ano, o rombo alcançou R$ 23,8 bilhões ; o primeiro deficit para esse período nos registros oficiais. Em 12 meses, o saldo ficou no vermelho em R$ 151,5 bilhões, em valores corrigidos pela inflação, o equivalente a 2,42% do Produto Interno Bruto (PIB). Também foi um desempenho negativo recorde.

Diante de desequilíbrios dessa grandeza, o governo não consegue prever quando a situação poderá dar sinais de mudança. ;Fica clara a deterioração das contas públicas. E a reversão desse quadro não ocorrerá a curto prazo;, admitiu a secretária do Tesouro Nacional, Ana Paula Vescovi, ao divulgar os números.

Na primeira entrevista no cargo, Ana Paula destacou, porém, que o governo está plenamente comprometido não apenas em negociar com o Congresso a aprovação da proposta de emenda à Constituição que limita a evolução dos gastos públicos, mas também com a apresentação de outras medidas de ajuste. ;Dado o tamanho do deficit, que pode alcançar R$ 170,5 bilhões, conforme a meta definida para este ano, nós temos um enorme desafio e o compromisso forte de resgate da credibilidade no cumprimento dos objetivos fiscais;, enfatizou.

Crise


Os sinais da crise são claros nos números do Tesouro. Em maio, a receita líquida do governo teve queda real (em valores corrigidos pela inflação) de 9,9% em relação ao mesmo período de 2015, para R$ 76,2 bilhões. Já as despesas caíram apenas 1,8%, somando R$ 91,7 bilhões. No acumulado do ano, a receita encolheu 5%, para R$ 456,2 bilhões, na mesma base de comparação. Os desembolsos, por sua vez, subiram 1,4%, ficando em R$ 480 bilhões.

Nos cinco primeiros meses, as despesas com abono e seguro desemprego ; que refletem a deterioração do mercado de trabalho e perda de vagas com carteira assinada ; alcançaram R$ 26 bilhões, o que representou uma alta real (descontada inflação) de 30,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Já os desembolsos com benefícios previdenciários cresceram 5,2%, totalizando R$ 194,6 bilhões. Nesse mesmo período, a receita líquida da Previdência teve queda de 6,5%, para R$ 144,2 bilhões, resultando em um deficit de quase R$ 50 bilhões até maio nas contas do INSS.

Para analistas, a recuperação será lenta. Na avaliação do economista Samuel Pessoa, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), se a PEC do teto dos gastos for aprovada ainda este ano, e começar a vigorar a partir de 2017, será possível que as contas públicas voltem a registrar superavit primário a partir de 2020. ;A dívida pública deverá se estabilizar em 90% do PIB entre 2019 e 2020 e, partir daí, começará a cair;, avaliou.

O economista Bruno Lavieri, sócio da 4R Consultoria, afirmou que, diante da profundidade da retração econômica, apenas cortes de gastos não serão suficientes para reverter a trajetória de deficit nas contas do governo. Para ele, caminho do reequilíbrio passa por aumento de tributação. ;A questão principal é articular um aumento de imposto, ainda que provisório, com o Congresso. Mas a resistência é grande;, avaliou.

Do ponto de vista das receitas, ele ainda vê incertezas no processo de venda de ativos da União, bem como nas regras de concessões e privatizações na área de infraestrutura, que o governo promete dinamizar. ;O governo só conseguirá desenvolver as concessões na medida em que o próprio ajuste for acontecendo. É uma lógica circular. Não é possível avançar sem ajuste fiscal, e vice-versa. É preciso anunciar uma reforma crível para derrubar as taxas de juros a longo prazo;, avaliou.(RC e RH)

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