Infecção protege do vírus por 10 semanas

Infecção protege do vírus por 10 semanas

postado em 29/06/2016 00:00
 (foto: Idor/Divulgação
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(foto: Idor/Divulgação )

Em um estudo feito com macacos, pesquisadores dos Estados Unidos observaram que a contaminação pelo vírus zika pode proteger os animais contra infecções futuras. A descoberta pode auxiliar no desenvolvimento de estratégias de proteção da enfermidade. O trabalho, publicado na última edição da revista britânica Nature Communications, também mostra que a gravidez aumenta o tempo em que o vírus permanece no corpo humano.

No experimento, os cientistas utilizaram macacos da espécie rhesus, pertencentes ao Centro de Pesquisa de Primatas da cidade de Wisconsin. As cobaias foram infectadas pelos zika e observadas em laboratório. Os investigadores notaram que os animais resistiram a ter outra infecção causada pela mesma cepa do micro-organismos ao serem expostos ao vírus 10 semanas mais tarde. ;Mostramos o que já esperávamos ver em humanos: que, ao ser infectado pelo zika, dentro de uma semana, você está protegido de futuras infecções pelo mesmo vírus;, declarou, em um comunicado à imprensa, Emma Mohr, uma das autoras do estudo e pesquisadora da Universidade de Wisconsin-Madison.

Para os cientistas, a descoberta pode ajudar em estratégias futuras de prevenção. ;Essa é uma boa notícia para a concepção de uma vacina. Nosso resultado sugere que o tipo de imunidade que ocorre naturalmente é suficiente. Se você puder imitar isso, provavelmente terá uma fórmula protetiva muito bem-sucedida;, detalhou David O;Connor, também autor do trabalho e pesquisador da universidade norte-americana.

Grávidas

No mesmo trabalho, os investigadores mediram a persistência do zika em macacas grávidas. Eles observaram que esses animais apresentavam o vírus no sangue em média de 30 a 70 dias após o contágio, ao contrário de animais que não estavam concebendo filhotes, em que o zika ficou no organismo por 10 dias. A equipe realizará mais pesquisas para esclarecer os resultados distintos, mas já trabalha com algumas suspeitas que justificariam essa diferença de períodos.

Uma delas é de que o sistema imunológico das cobaias pode estar comprometido durante a gestação, o que faria com que as fêmeas não conseguissem eliminar o patógeno mais rápido. ;A outra hipótese, mais provocativa, é que se trata de um indicativo de infecção do feto. Se for esse o caso, isso sugere que existe uma infecção prolongada do feto que dura muito mais tempo do que a na mãe;, ressaltou O;Connor.

;Essa é uma boa notícia para a concepção de uma vacina. Nosso resultado sugere que o tipo de imunidade que ocorre naturalmente é suficiente. Se você puder imitar isso, provavelmente terá uma fórmula protetiva muito bem-sucedida;

David O;Connor, pesquisador da Universidade de Wisconsin-Madison (EUA)

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