Visão do Correio

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postado em 18/10/2016 00:00
Queda de juros
e retomada
da economia


O Comitê de Política Monetária (Copom) fará, nesta terça e quarta-feira, a penúltima reunião do ano. É dada como certa a redução da Selic, a taxa básica de juros do país, atualmente em 14,25% ao ano. A divergência principal está no tamanho da queda: analistas se dividem, praticamente na mesma proporção, entre um corte de 0,25 ponto percentual ou de 0,5 ponto.

São importantes os argumentos a favor de uma queda significativa: a inflação está em queda, com Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de apenas 0,08% em setembro. A mediana das expectativas de mercado apontam para 7,01% neste ano, abaixo dos 7,04% previstos na semana passada.

Outro ponto importante é a redução dos preços de combustíveis, conforme nova política de flutuação anunciada pela Petrobras na semana passada. E o fato de o governo ter conseguido a aprovação em primeiro turno na Câmara dos Deputados, com folga, da Proposta de Emenda à Constituição 241, que limita o aumento dos gastos públicos por 20 anos. A ajuda do lado fiscal, que tem sido inexistente, é indispensável para reduzir a pressão sobre os preços, evitando que o Banco Central (BC) tenha de buscar o equilíbrio por meio de arrocho na política monetária.

É essencial notar, porém, que ainda parece longe o momento em que o país poderá considerar a inflação domada. A expectativa de alta do custo de vida registrada pelo boletim Focus do BC indica um número que, embora em queda, ainda é superior ao teto da meta estabelecido para o ano, de 6,5%. Para o próximo ano é de 5,04%, já abaixo do teto, mas ainda acima do tão desejado centro da meta, que o BC diz perseguir com afinco. Tampouco se pode esquecer que esse objetivo, não cumprido, está muito acima dos parâmetros internacionais.

Não se trata de preciosismo matemático. O histórico do país mostra que a redução do rigor na busca do objetivo de controlar os preços descamba rapidamente para a leniência. Em agosto de 2011, o BC iniciou um movimento de queda na Selic, então em 12,5%, sem as condições apropriadas para isso. No ano seguinte, a taxa atingiu 7,25%. A inflação subiu e alcançou um patamar de resistência do qual não conseguimos sair até hoje. O país se viu obrigado a embarcar em um processo inverso, de elevação dos juros, para impedir o descontrole dos preços e o fim da estabilidade econômica conquistada tão arduamente.

Depois de começar a subir, em 2012, a Selic nunca mais baixou. E atingiu um patamar muito maior do que aquele em que estava anteriormente. Isso mostra que o caminho das reduções demagógicas é levar os brasileiros a serem castigados por juros ainda maiores no futuro.

Espera-se, portanto, que o Copom aja com a responsabilidade que se espera da nova diretoria do BC, sem colocar a perder a retomada do crescimento, mas tampouco o retorno do país a uma situação de razoável estabilidade de preços.

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