Vice-diretor alega "briga política" no episódio dos chinelos

Vice-diretor alega "briga política" no episódio dos chinelos

» Pedro Grigori* » Alessandra Modzeleski Especial para o Correio *Estagiário sob supervisão de Mariana Niederauer
postado em 10/12/2016 00:00


Envolvido na suposta humilhação de um aluno de 13 anos, o acusado e vice-diretor do Centro de Ensino Fundamental Arapoanga (Cefa), Jordenes da Silva, alegou ontem ao Correio que o caso pode estar ligado a uma briga política. Na ocasião, o adolescente teria sido obrigado a andar pelos corredores da escola descalço, depois de Jordenes ter recolhido os chinelos do menino. Na última segunda-feira, uma gravação do incidente foi publicada nas redes sociais. No vídeo, o menino aparece de cabeça baixa e chorando dentro de sala de aula, enquanto colegas de outras turmas riem dele.

Segundo o vice-diretor, uma disputa interna na instituição pode estar por trás da situação. ;A professora que ministrava a aula, no momento em que o episódio aconteceu, concorreu comigo no mês passado pelo cargo de diretor da gestão que começa em 2017, mas acabou perdendo;, argumenta. Ele diz que não sabia quem era o dono da sandália e que o fato teria ocorrido durante uma aula de promoção de saúde. ;Estava fazendo ronda pelo colégio e, ao passar pelo pátio, vi quatro alunos fazendo algazarra com uma bolinha feita de papel e fita crepe. Fui ao local, recolhi a bolinha e avistei um par de sandálias, que peguei e, antes de levar à direção, falei que o dono dos calçados deveria ir à direção recolhê-los;, relembra.

Jordenes diz, ainda, que qualquer professor pode recolher, temporariamente, objetos que inviabilizem a harmonia do ambiente escolar. ;Em momento algum eu humilhei o aluno por usar calçados, pois a própria mãe relatou que ele já havia usado sandálias para ir ao colégio. Qualquer pessoa que andar pelo pátio do Cefa verá que há alunos que vão à aula de sandália normalmente;, disse. A mãe do aluno confirmou que não foi a primeira vez que o garoto foi ao colégio de sandália e que ele nunca havia sido repreendido por isso.

Análise

A Divisão de Comunicação da Polícia Civil (Divicom) informou que o delegado-chefe da 31; Delegacia de Polícia (Planaltina), Marcory Mohn, recebeu ontem uma cópia do vídeo. ;Há suspeitas de quem foi o autor da gravação. A perícia só será acionada se não for possível confirmar a autoria. Em se confirmando, será apurada qual é a responsabilidade do autor na propagação da gravação;, afirmou.

Nesta sexta-feira, Jordenes voltou ao trabalho. ;A minha vida virou de cabeça para baixo e temo que, agora, por uma confusão, todo o meu trabalho profissional de 18 anos seja destruído. Ninguém quer saber a minha versão, estão querendo fazer comigo o que fizeram com os donos da Escola Base em São Paulo;, destaca Jordenes, referindo-se a caso emblemático em que integrantes da direção do colégio foram acusados de abuso sexual e, depois, inocentados.

O caso também é apurado pela Corregedoria da Secretaria de Educação. Se ficar provado que o educador cometeu excessos, será aplicada uma punição, que varia de suspensão de até 90 dias a perda do cargo. Procurada pela reportagem, a diretora do Cefa, Eunice Correia, ainda não se manifestou sobre a versão do vice-diretor. A secretaria da escola aguardava a autorização da professora acusada pelo vice-diretor para enviar o contato dela à reportagem.

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