General negocia delação sobre Rússia

General negocia delação sobre Rússia

postado em 01/04/2017 00:00
 (foto: NicholasI Kamm/AFP - 1/2/17)
(foto: NicholasI Kamm/AFP - 1/2/17)



O general reformado Michael Flynn, que foi por menos de um mês o conselheiro do presidente Donald Trump para assuntos de Segurança Nacional, está disposto a prestar depoimento nas investigações sobre supostas ligações secretas da equipe do bilionário republicano com emissários da Rússia. Por meio de um advogado, Flynn se propôs a dizer o que sabe sobre o assunto em troca de imunidade processual. O general foi forçado a renunciar em 13 de fevereiro, diante de revelações sobre contatos que tinha mantido com o embaixador russo nos Estados Unidos, no fim de dezembro, embora tivesse omitido a informação nas conversas que teve com o vice-presidente, Mike Pence.

;O general Flynn certamente tem uma história para contar e realmente quer contá-la, se as circunstâncias permitirem;, informou o advogado Robert Kelner, em comunicado divulgado no Twitter. Kelner formalizou a proposta de acordo em contatos com o FBI (polícia federal dos EUA) e com as comissões do Senado e da Câmara dos Deputados que investigam a chamada ;conexão russa;. Até ontem, não havia notícia de que a ideia tenha sido aceita. O caso, que emergiu na reta final da disputa pela Casa Branca, se relaciona a supostas tentativas do Kremlin para interferir no processo eleitoral americano, de maneira a ajudar Donald Trump e prejudicar a candidata do Partido Democrata, Hil-lary Clinton.

Flynn, chefe de inteligência militar durante o governo do democrata Barack Obama, foi nomeado chefe do Conselho de Segurança Nacional em novembro, depois de ter assessorado Trump durante a campanha. ;Por respeito às comissões do Congresso;, disse o advogado do ex-conselheiro, ;não comentaremos os detalhes das discussões; com os legisladores.

;Mike Flynn deve pedir imunidade nisso que é uma caça às bruxas (desculpa por uma grande perda eleitoral) dos meios de comunicação e dos democratas;, comentou Donald Trump em sua conta no Twitter. O presidente, que se vê às voltas com a ;conexão russa; desde os primeiros dias na Casa Branca, nega que tenha instruído o ex-conselheiro ou qualquer outro auxiliar a manter contatos reservados com emissários do Kremlin. A suspeita das agências de inteligência é de que tenha sido discutida a possibilidade de o governo Trump levantar as sanções impostas à Rússia depois da anexação da Crimeia, em 2013.

O The Wall Street Journal indicou, citando um funcionário, que ;não se sabe se Flynn se propôs a depor sobre aspectos específicos do tempo em que trabalhou para Trump, mas o fato de buscar imunidade sugere que ele sente que poderia enfrentar complicações judiciais;. O jornal The New York Times cita uma fonte do Congresso segundo a qual os investigadores tentam um acordo com Flynn para que possam ter uma ideia mais clara da informação que o ex-conselheiro tem a oferecer.

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