"Mãe das bombas" mata 36 jihadistas

"Mãe das bombas" mata 36 jihadistas

Comandante americano rebate críticas ao uso da arma convencional mais potente contra Estado Islâmico. Talibãs acusam Trump de fazer do país %u201Cum laboratório%u201D

postado em 15/04/2017 00:00
 (foto: AFP)
(foto: AFP)



Forças americanas apoiavam ontem tropas locais em uma ofensiva por terra contra redutos do Estado Islâmico (EI) na província afegã de Nangarhar, no Afeganistão, no dia seguinte à estreia em combate da arma não nuclear mais potente dos Estados Unidos. A bomba GBU-43/B, apelidada pelos militares de ;mãe de todas as bombas;, foi lançada sobre um complexo de túneis e cavernas usado pelos jihadistas no distrito de Anchin, próximo à fronteira do Paquistão. O governo de Cabul afirmou que a violenta explosão, que levantou colunas de fogo e fumaça vistas a 20km de distância, matou ao menos 36 combatentes ; mas o EI negou que tenha sofrido baixas. De acordo com as autoridades, não havia civis nas imediações do alvo.

;O bombardeio destruiu redutos estratégicos do Daesh (sigla em árabe do EI);, diz um comunicado do Ministério da Defesa afegão. Em Washington, o presidente Donald Trump comemorou ;mais um sucesso; militar, depois dos mísseis disparados contra a Síria em punição por um ataque químico, e parabenizou o comandante das forças dos EUA no Afeganistão, o general John Nicholson. Falando à imprensa em Cabul, Nicholson rebateu críticas pelo uso pioneiro da bomba, que pesa pouco menos de 10 toneladas e tem poder explosivo equivalente a 11 toneladas de TNT. ;Usamos o armamento certo contra o alvo certo;, afirmou o oficial.

O capitão Bill Salvin, porta-voz das tropas americanas, informou que foram tomadas precauções para evitar baixas entre a população civil. O comando das forças afegãs em Nangarhar assegurou que havia apenas uma família no vale de Mamand, uma área escassamente povoada, próxima às cavernas de Tora Bora, que serviram de esconderijo para o fundador da rede terrorista Al-Qaeda, Osama bin Laden, durante os bombardeios lançados contra ele pelos EUA depois dos atentados de 11 de setembro de 2001. ;Recebemos a ordem de transferir essa família para um local a muitos quilômetros de distância, onde eles estão seguros;, disse o oficial Ahmad Jawed Salim. ;Agora, nossas forças avançam pelo vale sem encontrar resistência.;

;Essa foi a explosão mais poderosa que eu vi em toda a minha vida. Enormes colunas de fogo tragaram toda a área;, relatou à agência de notícias France-Presse o governador do distrito de Achin, Esmail Shinwari. A impressão foi confirmada pela descrição de uma fonte próxima à milícia islâmica Talibã, que tem presença na área e é rival do EI. ;Os moradores sentiram a terra tremer como durante um terremoto. Alguns desmaiaram;, contou. ;As pessoas começaram a abandonar a região, com medode novos bombardeios.;

Um porta-voz dos talibãs, Zabibullah Mujahid, condenou o ataque aéreo americano e acusou o presidente Donald Trump de ;utilizar o Afeganistão como um laboratório para experiências com armas;. O combatente afirmou que eliminar os jihadistas infiltrados na área ;é trabalho para os afegãos;. De acordo com estimativas dos militares da Otan, que integram a missão liderada pelos EUA, o EI chegou a manter cerca de 3 mil combatentes em treinamento no país. Atualmente, a organização jihadista estaria reduzida a um efetivo entre 600 e 800 homens.

O lançamento da ;mãe de todas as bombas;, uma semana depois do do bombardeio contra a Síria, teve impacto sobre os mercados asiáticos, onde os pregões foram abertos em queda depois das perdas registradas na véspera em Wall Street. Os investidores reagem também à tensão com a Coreia do Norte, na expectativa de um novo teste nuclear, em especial depois de o presidente americano ter advertido que está determinado a ;lidar com esse problema; ; pela via militar, se julgar necessário.

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