Temer tem pressa na Câmara

Temer tem pressa na Câmara

Aliados avaliam abrir mão de prazos e acelerar a derrubada do pedido de autorização para processar o presidente por corrupção

PAULO DE TARSO LYRA RODOLFO COSTA LUANA MELODY BRASIL Especial para o Correio
postado em 30/06/2017 00:00
 (foto: Luis Macedo / Câmara dos Deputado
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(foto: Luis Macedo / Câmara dos Deputado )


O governo pode abrir mão do prazo de dez sessões reservados à defesa na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara para acelerar a tramitação da denúncia de corrupção passiva contra o presidente Michel Temer. Em um plenário completamente esvaziado, a peça acusatória foi lida ontem pela segunda secretária da Câmara, Mariana Carvalho (PSDB-RO). Pouco depois, a notificação foi entregue no Planalto, pelo primeiro secretário da Casa, Giacobo (PR-PR), dando início à contagem dos prazos. ;Se o presidente antecipar a defesa, o prazo de cinco dias para o parecer já começa a contar;, justificou Giacobo.

A partir de hoje, o governo precisará colocar ao menos 51 deputados na Casa para que seja contada como sessão. Pelo regimento, a defesa do presidente Temer tem até 10 sessões para apresentar suas alegações e, depois disso, o relator ; que só será escolhido na próxima semana ; terá cinco sessões para apresentar o texto, propondo ou não o arquivamento da denúncia.

Segundo apurou o Correio, o governo demonstra uma certa tranquilidade para derrubar a denúncia na Câmara. A oposição precisa de 342 votos para conseguir a abertura do processo contra o presidente no STF. Mas a tática de acelerar essa tramitação ; como citada na coluna Brasília-DF de ontem, na visão de aliados, é mais do que apropriada. ;Também é preciso ver o tamanho dos votos da oposição;, alertou um estrategista de Congresso.

Para esse interlocutor, os adversários de Temer não conseguirão colocar 342 neste primeiro processo. ;Mas, suponhamos, que ponham 200. Faltariam apenas 142 para uma futura denúncia, que, com certeza, virá;, disse esse aliado, com cautela. O próprio presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou ontem que não há como juntar as demais acusações ; obstrução de Justiça e organização criminosa ; em um mesmo relatório na CCJ.

;Eu não vou tratar de hipóteses. O que eu acredito é que o doutor Janot (Rodrigo Janot, procurador-geral da República) vai encaminhar outra peça, porque, se fosse a mesma peça, não viria separada, não faz sentido. Ele vai apresentar outros argumentos;, avaliou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

Maia ressaltou que, apesar de ser de um partido da base do governo, como presidente da Câmara terá de agir de maneira republicana. A instituição precisa ser preservada. Aqui não é para defender nem a posição do presidente, nem a posição da oposição. É para respeitar o rito e a democracia;, explicou ele. ;A Câmara é guardiã da Constituição, e assim farei nesse processo tão difícil para todos nós;, defendeu.

Coube ao subchefe de assuntos jurídicos da Casa Civil, Gustavo do Vale Rocha, receber a notificação da denúncia contra o presidente Temer. Responsável por levar o documento, o deputado Giacobo afirmou que cumpria um papel institucional ;com tristeza; pela crise que o país enfrenta. ;Agora, nós temos que cumprir o nosso papel. Estou cumprindo o meu aqui. Espero que tudo isso se resolva o mais breve possível para que o país possa continuar avançando;, afirmou.

342 deputados
Número necessário de votos para a autorização do processo contra Michel Temer

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