Decisão esperada

Decisão esperada

postado em 09/08/2017 00:00

Pesquisadora do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade do Sul da Flórida, Carolina Silva Pedroso admitiu ao Correio que era esperada uma declaração mais contundente dos chanceleres latinos, principalmente após a decisão de suspensão de Caracas tomada pelo Mercosul. ;A reunião em Lima ocorreu justamente porque, dentro do marco da OEA (Organização dos Estados Americanos), a Venezuela conseguiu se livrar das condenações graças ao veto dos aliados que ela possui na América do Sul ; Equador e Bolívia ; e, principalmente, no Caribe, a região que mais recebe petróleo subsidiado da Venezuela.;

Segundo a especialista em Venezuela, o repúdio do continente é mais simbólico do que efetivo. ;A comunidade internacional não dispõe de mecanismos de coerção para fazer valer suas resoluções. O governo venezuelano é soberano internamente e não tem como ser obrigado a seguir a dissolução da Assembleia Nacional Constituinte, como foi pedido pelos chanceleres;, observa Carolina. Ela reconhece a existência de uma questão ideológica muito forte, especialmente em relação ao Brasil. ;A legitimidade de nosso país também é questionada pela Venezuela e por aliados, que entendem que o processo de impeachment foi um golpe contra a democracia. Maduro, inclusive, fez declarações recentes atacando o presidente Michel Temer por ter chegado ao poder sem votos e o acusando de ser um protoditador;, lembra. A analista explica que o embate ideológico reflete as incoerências de ambos os governos e acaba por afastar o Brasil de ser mediador de um diálogo.

Aliados
Enquanto os chanceleres latinos se reuniam em Lima, Caracas sediava um encontro de ministros de Relações Exteriores da Alba, grupo de nações aliadas de Maduro, entre os quais figuram Cuba, Bolívia, Nicarágua e Equador. Na segunda-feira, o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, declarou que não descarta romper relações diplomáticas com a Venezuela. Também ontem, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Antonio Guterres, expressou preocupação de que a Venezuela esteja distante de uma saída pacífica. O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra;ad Al-Hussein, denunciou que ;as entrevistas realizadas à distância (;) sugerem que tem acontecido na Venezuela um uso generalizado e sistemático de força excessiva e detenções arbitrárias;. (RC)

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