Temer aposta tudo na suspeição de Janot

Temer aposta tudo na suspeição de Janot

postado em 07/09/2017 00:00

O presidente Michel Temer afirmou que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ficou ;enfraquecido; após a revelação de que o empresário Joesley Batista, da JBS, e executivos da empresa omitiram informações sobre crimes nos acordos de delação premiada. ;Ele disse para nós: ;Afinal, os fatos acabaram mostrando que eu tinha razão;;, contou o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, um dos auxiliares que se reuniram com o presidente nesta manhã.

Temer fez a afirmação em conversa com ministros do núcleo político, após chegar, na manhã de ontem, da viagem à China, onde permaneceu por uma semana. O presidente se referia à descoberta de gravações que sugerem conduta criminosa do então procurador Marcelo Miller na delação da JBS e podem anular o acordo feito com a Lava-Jato. Miller era braço direito de Janot. Pediu exoneração em fevereiro para trabalhar como sócio no escritório Trench, Rossi e Watanabe, contratado para fazer o acordo de leniência da J, mas só deixou efetivamente o cargo em abril.

Em junho, ao ser denunciado pelo crime de corrupção passiva pela Procuradoria-Geral da República, Temer levantou suspeitas sobre a ligação entre Miller e Janot. À época, o presidente disse que o ex-procurador ;ganhou milhões; em poucos meses. ;Garantiu ao seu novo patrão (Joesley) um acordo benevolente, uma delação que o tira das garras de Justiça, que gera uma impunidade nunca antes vista;, afirmou Temer, em pronunciamento no dia 27 de junho.

A defesa do presidente Michel Temer, ontem, também entrou com um pedido no STF para evitar que Janot mande uma segunda denúncia contra ele para a Câmara dos Deputados, desta vez, baseada em delações do doleiro Lúcio Funaro. A partir dos áudios de Joesley e Saud, os advogados pedem a suspeição de Janot e da própria PGR. ;Torna-se medida primeira de Justiça a sustação do andamento de eventual nova denúncia apresentada contra o sr. presidente da República até que as investigações sobre os gravíssimos fatos sejam concluídas, bem como o Agravo Regimental na Arguição de Suspeição n; 89 seja julgado pelo Plenário desse Pretório Excelso. O mesmo óbice se requer para eventuais requerimentos de instauração de investigação contra o sr. presidente da República;, diz o pedido.

Outro pedido

Antes, os advogados do presidente também protocolaram, no gabinete do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, pedido de acesso a áudios de um outro delator da JBS, o advogado Francisco de Assis e Silva. A defesa alega que Temer, ;em outras manifestações;, mencionou que Assis e Silva teria ;participado de treinamentos com procuradores da República e delegados federais;, antes de firmar o acordo de delação premiada pelo grupo J.

O pedido foi protocolado menos de 48 horas depois que o procurador-geral da República Rodrigo Janot anunciou abertura de investigação sobre suposta omissão dos delatores da JBS, o que põe em risco o acordo. ;O acesso a todas as gravações é fundamental;, afirma o criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, que coordena a defesa de Temer. ;Os áudios reproduzem declarações de um colaborador, dr. Francisco de Assis e Silva, que, portanto, não estava na qualidade de advogado, estando ausentes os benefícios do sigilo profissional.;

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