Francisco pede paz para Venezuela

Francisco pede paz para Venezuela

postado em 07/09/2017 00:00
 (foto: Andreas Solaro/AFP
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(foto: Andreas Solaro/AFP )


O papa Francisco começou a viagem de cinco dias à Colômbia, a primeira de um pontífice após décadas ao país, recém-pacificado, com uma mensagem endereçada à vizinha Venezuela, mergulhada em uma crise política e econômica que ameaça degenerar em guerra civil. ;Envio saudações cordiais ao presidente Nicolás Maduro e a todas as pessoas da Venezuela. Orando para que todos na nação possam promover caminhos de solidariedade, justiça e concórdia;, disse Francisco ao desembarcar em Bogotá, às 16h36 (18h36 em Brasília). O líder católico, de 80 anos, tem atos e missas programados em quatro cidades colombianas, mas se reunirá hoje com bispos venezuelanos, no marco de um encontro com o Conselho Episcopal Latino-Americano.

A chegada de Francisco se segue à assinatura de um cessar-fogo entre o governo do presidente Juan Manuel Santos e o Exército de Libertação Nacional (ELN), última guerrilha esquerdista atuante na Colômbia, que tem entre seus fundadores padres ligados à Teologia da Libertação, como Camilo Torres. Na semana passada, foi concluída a reinserção na vida civil de mais de 7 mil combatentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que foi durante meio século a principal organização armada ilegal no país. O conflito armado, que envolveu ainda grupos paramilitares de direita, deixou 260 mil mortos, 60 mil desaparecidos e 7 millhões de deslocados.

O papa começa hoje a agenda oficial com uma missa e um encontro de oração em Villavicencio, a 70km da capital, região duramente afetada pela violência, onde são esperados 1 milhão de fiéis. Na mensagem endereçada segunda-feira ao ;querido povo colombiano;, Francisco elogiou sua ;constância na busca da paz e da harmonia; e convidou os adversários da guerra a ;tratar-se como irmãos, nunca como inimigos;, como exigência para uma paz ;estável e duradoura;.

Até o fim da semana, o pontífice visitará também Medellín e Cartagena e rezará missa para 2 milhões de pessoas em Bogotá. Ele passará todas as noites na sede da Nunciatura Apostólica, na capital, de onde se deslocará para as demais cidades. Além dos efetivos do Exército e da Polícia Nacional, cerca de 20 mil voluntários estarão mobilizados para garantir a segurança de Francisco na Colômbia. Além da reconciliação entre os colombianos, espera-se que Francisco aborde também temas da realidade latino-americana, como desigualdades sociais e direitos humanos, assim como os desafios ao exercício do sacerdócio.

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