A festa do cinema

A festa do cinema

ana dubeux anadubeux.df@dabr.com.br
postado em 17/09/2017 00:00
De vez em quando, tenho uns sonhos estranhos. Ultimamente, encontro Glauber Rocha aqui pela redação. Não fosse por um lapso de tempo, poderia eu ter tido esse prazer. O cineasta aportou por aqui em abril de 1977 para escrever nestas páginas. Sorte tenho de ter pessoas ao meu lado que podem me contar como foi essa passagem. O jornalista e cronista Severino Francisco escreveu sobre os tempos de Glauber no Correio Braziliense. Fazia comícios delirantes pela redação, depois pausava em longos silêncios. Liana Sabo, nossa colunista de gastronomia e na época repórter de política, lembra que o moço deixava os revisores doidos, quando trocava letras em seus textos. Entre as muitas lembranças e peripécias, está a certeza de que Glauber ajudou a semear o cinema na cidade e na redação.

Podemos dizer que essa herança frutificou. O Correio é entusiasta, espectador, divulgador e parceiro do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Em sua 50; edição, não seria diferente. Publicamos caderno com a programação, matérias sobre os filmes, memórias de outros festivais, depoimentos de cineastas ; com capa inspirada de Amaro Júnior, ex-editor de arte do jornal e sempre um parceiro. E a edição de José Carlos Vieira, o nosso multifacetado ;Fala, Zé;. Como dissemos na última sexta-feira, o mais tradicional festival de cinema do país reverencia a diversidade criativa dos cineastas contemporâneos e celebra a resistência e a luta de diretores, que enfrentam crises de toda ordem para manter o cinema nacional ativo, pulsante e inovador.

O festival vem com nove longas-metragens na mostra competitiva, além de 12 curtas. A Mostra Brasília exibirá 17 filmes. O homenageado desta edição é o extraordinário Nelson Pereira dos Santos, que honra a história do cinema brasileiro. E, não se pode deixar de lembrar, o festival é também um convite para rever a beleza do Cine Brasília, um patrimônio da cidade que nunca pode nem deve ser esquecido. Estaremos lá todos os dias e convidamos vocês a acompanharem nossa cobertura pelo jornal impresso, pelo site e pelas redes sociais.

O cinema pode ser uma válvula de escape. Mas pode ser também um mecanismo de resistência. Pode ser uma forma de pressionar, denunciar, cobrar, criticar. Ou também um jeito de desanuviar, transitar entre o mundo real e a ficção, viajar nas narrativas e deixar os dias mais leves. O festival convida a cidade acostumada a transpirar política a respirar cinema ; ainda que ele nos ajude também a refletir sobre o momento que o Brasil está vivendo. Aproveite o ar puro da arte.

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