Evasão que preocupa

Evasão que preocupa

postado em 15/11/2017 00:00
Mais uma constatação preocupante no universo do ensino universitário brasileiro, com a divulgação de pesquisa mostrando que 3,4 milhões de estudantes deixaram suas vagas para trás, ano passado. São vários os motivos para tamanha desistência: da crise econômica, que arrastou o país para a pior recessão que se tem notícia nos últimos tempos, às mudanças nas políticas federais de distribuição de bolsas e financiamento estudantil para estudantes que não têm condições financeiras para arcar com os gastos de uma universidade particular. Quadro que precisa ser revertido para que os jovens possam ter acesso aos cursos de graduação.

Dados do Censo da Educação Superior do Ministério da Educação (MEC) indicam que 30% do total de alunos matriculados em universidades públicas e particulares, em todo o país, deixaram seus cursos em 2016, o que representa a população do estado de Alagoas. Como exemplo, somente em Minas Gerais foram 257.396 vagas ociosas, o que corresponde a 24% das matrículas totais. As instituições privadas têm o maior número de vagas ociosas (2,89 milhões, o que representa 85,3% do total), enquanto as públicas somam, aproximadamente, meio milhão, ou 14,7% das cadeiras abandonadas.

As motivações são muitas para tamanha evasão. As cifras mais marcantes se referem às matrículas desvinculadas, ou seja, as que se relacionam a estudantes que desistiram do curso universitário ou foram desligados por iniciativa das instituições, que cancelaram as vagas por abandono do próprio aluno, descumprimento de algum compromisso acordado ou desligamento voluntário. No último caso, quando o estudante sai da faculdade mas não comunica, oficialmente, o seu desligamento.

O que preocupa especialistas é que o MEC não consegue mensurar os possíveis prejuízos provocados pelo abandono das vagas nas universidades federais. Isso porque a ocupação das vagas do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) está a cargo das próprias instituições, no âmbito da autonomia conferida pela Constituição Federal, sendo facultativa a adesão delas. Como cada instituição pode adotar metodologia própria para a ocupação das cadeiras, o MEC não tem como medir os eventuais prejuízos causados pela evasão.

O certo é que os programas de financiamento do ensino universitário não podem experimentar retrocessos. O acesso à sala de aula nas faculdades em todo o território nacional é uma das conquistas da população de baixa renda que não deve ser interrompida. Os números mostram que a falta de financiamento tem forte impacto no número de matrículas, que vêm caindo desde 2014. O governo deve assumir a responsabilidade de buscar a fórmula adequada para garantir aos alunos sem condições financeiras financiamentos chancelados pelo poder público para que o sonho do diploma universitário se concretize.





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