ARI CUNHA

ARI CUNHA

Desde 1960 Visto, lido e ouvido aricunha@dabr.com.br com Circe Cunha / circecunha.df@dabr.com.br

postado em 19/01/2018 00:00




Vem pra Caixa

Fomos buscar uma palavra ou expressão que, de uma forma mais precisa e mais resumida, pudesse definir os dias atuais. Sem dúvida alguma, a palavra seria distopia. Ao contrário da utopia, um lugar ideal, em que haveria completa felicidade, com os indivíduos vivendo livres e em harmonia, a distopia é uma espécie de utopia negativa ou antiutopia, em que pessoas passam a viver sob um regime que, embora em nosso caso, não possa ser classificado de totalitário, despreza a população, seus anseios e aflições.

Não fosse o bastante ainda usa os recursos do Estado, tomados dos contribuintes, não para benefício e progresso da sociedade, mas, tão somente, para o enriquecimento rápido e sem esforço da classe dirigente e política. Neste Brasil distópico, onde o governo de fato é exercido pelas bancadas majoritárias com assento no Congresso, pelos dirigentes de partidos e por grandes empresários, todos invariavelmente com interesses e negócios no Estado, os brasileiros se viram como podem.

No país campeão mundial da desigualdade social e de renda, os brasileiros assistem, passivos, às diferenças gritantes no atendimento de autoridades em hospitais de ponta, enquanto a maioria da população corre desesperada por atendimento em hospitais públicos sucateados e superlotados. Como psicopatas, sem empatia, indiferentes e alheios à nação, as principais lideranças parecem prosseguir no mesmo tipo de comportamento que acabou por levar alguns dos seus membros para trás das grades.

Indiciamentos, processos, prisões e outras medidas extremas tomadas contra esses dirigentes parecem não provocar mais maiores constrangimentos ou medos. Insistem nas mesmas práticas, mesmo com o Ministério Público e a Polícia Federal no rastro das ilicitudes que não cessam. Inclusive por trás das grades. Não fosse agora o ultimato mandado ao governo pelo Ministério Público Federal (MPF) para que fossem destituídos os vice-presidentes da Caixa Econômica Federal, a população nem tomaria conhecimento de que essa instituição, como a Petrobras, continuava sendo dilapidada.

Para isso, o MPF teve, inclusive, que ameaçar o governo, caso desconsiderasse a recomendação da Justiça. ;Esclarece-se, desde já, que, caso não seja observada a recomendação, eventuais novos ilícitos cometidos pelos atuais vice-presidentes da Caixa Econômica Federal poderão gerar a responsabilização civil de Vossa Excelência, por culpa in eligendo (por ter escolhido a pessoa errada, em tradução livre);, diz o ofício. Ou seja o próprio presidente da República poderia ser alvo de ação de improbidade administrativa.

Espantosamente, o governo considerou o ofício apenas uma ameaça sem base jurídica. Pelo sim, pelo não, o governo mandou passar a bola para a Presidência da Caixa. Com 12 vice-presidentes indicados por partidos, a Caixa tem sido usada há décadas para atender diretamente os pleitos dos partidos com objetivo de tráfico de influência em negócios envolvendo recursos do banco. A questão aqui é que interesses teriam os partidos MDB, PR, PRB e PP em indicar dirigentes para a Caixa?

Para os procuradores, há clara ;existência de diversas figuras proeminentes na administração da CEF em casos investigados e/ou alvos de investigações, bem como a perene influência política sobre funções que deveriam ser essencialmente técnicas;. Não surpreende, pois, que essa instituição centenária passe, atualmente, por dificuldades financeiras, o que afetou, inclusive, sua participação no crédito imobiliário do país, sendo obrigada a adotar medidas, como a redução para 50% o limite de financiamento de imóveis usados; encerramento da linha pró-cotista do FGTS; e adoção de limites mensais na liberação do crédito imobiliário. Além disso, a Caixa foi a única instituição que não reduziu os juros diante dos cortes da taxa Selic, o que implicou deixar de ser o banco com as menores taxas para o financiamento da casa própria.

Situações como essas só encontram explicações quando se verifica que, entre outros vice-presidentes enrolados com a Justiça, a Caixa teve em sua direção Geddel Vieira Lima, atualmente preso à espera de julgamento. Vem pra Caixa.




A frase que foi pronunciada

;Não ser descoberto numa mentira é o mesmo que dizer a verdade.;
Aristóteles Onassis



Expansão
; Bohumil Med, professor, em comemoração aos cem mil exemplares vendidos da sua Teoria da Música, acaba de lançar uma edição especial limitada. Com capa dura e desenho renovado, é um verdadeiro Vade Mecum da música para ter na estante. Ex-trompista, ex-professor da UnB, o tcheco-brasiliense Bohumil, atualmente escritor, editor e administrador da maior livraria musical da América Latina, conquistou reconhecimento internacional.

Votar
; Neste mês, o TRE-DF (sede e cartórios eleitorais) estão funcionando entre as 13h e as 18h. No Na Hora funciona também pela manhã. Quem precisa atualizar a situação como eleitor, janeiro é o melhor mês.

Divulgação
; Por falar em voto, começou a caça às propagandas eleitorais antecipadas. Ministérios Públicos de vários estados começam a observar outdoors, discursos em solenidades, Facebook e outras redes sociais. Até o dia 5 de março o Tribunal Superior Eleitoral deixará claras todas as regras sobre o assunto .




História de Brasília
; Nenhum funcionário do Iapi que reside na Coreia poderá ocupar qualquer dos apartamentos da SQS 305, construída pelo mesmo instituto. É que o seu presidente abriu mão dos apartamentos, entregando-os ao GTB, e, enquanto isso, os funcionários que desejam melhores acomodações vão sendo preteridos. (Publicado em 13/10/1961)






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