Como será a mudança?

Como será a mudança?

Confira os principais aspectos da revisão das Diretrizes Nacionais Curriculares (DCNs) proposta pela Associação Brasileira de Educação em Engenharia (Abenge), que tem como objetivo elevar a qualidade do ensino, permitir maior flexibilidade na estruturação dos cursos e reduzir a taxa de evasão:

postado em 15/07/2018 00:00
 (foto: UniCeub/Divulgação)
(foto: UniCeub/Divulgação)

Carga horária e tempo e integralização dos cursos
A carga horaria referencial é de 3.600 horas de atividades efetivas, e o tempo de integralização referencial é de cinco anos. É importante, notar, no entanto, que ;referencial; não quer dizer ;mínimo; ou ;obrigatório;. Assim, cada curso de engenharia poderá definir carga horária e tempo de integralização próprios. O estágio obrigatório supervisionado deve ser de no mínimo 300 horas.

Perfil do egresso
Os cursos deverão formar engenheiros humanistas, críticos, reflexivos, criativos, cooperativos, éticos, isentos de discriminação, comprometidos com responsabilidade social e desenvolvimento sustentável, aptos a pesquisar, desenvolver, adaptar e utilizar novas tecnologias, capazes de reconhecer as necessidades dos usuários, analisando problemas e formulando questões a partir de necessidades e oportunidades de melhorias para projetar soluções criativas de engenharia. A atuação dos profissionais deverá ser inovadora, empreendedora, multidisciplinar e transdisciplinar, considerando aspectos globais, políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.

Foco na formação por competências
As formações deverão proporcionar aos egressos as seguintes habilidades: analisar e compreender os usuários das soluções de engenharia e seu contexto para formular as questões de engenharia e conceber soluções desejáveis; analisar e compreender os fenômenos físicos e químicos por meio de modelos matemáticos, computacionais ou físicos, validados por experimentação; conceber, projetar e analisar sistemas, produtos (bens e serviços) componentes ou processos; implantar as soluções de engenharia considerando os aspectos técnicos, sociais, legais, econômicos e ambientais; comunicar-se efetivamente e eficientemente nas formas escrita, oral e gráfica; trabalhar e liderar equipes multidisciplinares; interpretar e aplicar com ética a legislação e os atos normativos no âmbito do exercício da profissão; aprender de forma autônoma, para lidar com situações e contextos complexos, atualizando-se em relação aos avanços da ciência e da tecnologia.

Metodologias inovadoras
Recomenda-se a adoção de metodologias para aprendizagem ativa, promovendo uma educação mais centrada no aluno. Devem também ser estimuladas atividades complementares, tais como trabalhos de iniciação científica, projetos multidisciplinares e transdisciplinares, visitas técnicas, trabalhos em equipe, desenvolvimento de projetos, protótipos, monitorias, participação em empresas juniores e outras atividades empreendedoras. Os cursos devem englobar atividades laboratoriais obrigatórias, privilegiar atividades que articulem teoria prática e contexto de aplicação, além de estimular a interdisciplinaridade

Fortalecimento do relacionamento com diferentes organizações
Deve-se privilegiar nos cursos atividades que articulem simultaneamente a teoria, a prática e o contexto de aplicação, incluindo ações de integração empresa-escola. As instituições de ensino devem estabelecer parcerias com organizações de engenharia para que alunos e professores se envolvam em situações reais que contemplem o universo da engenharia. Recomenda-se a formação de comitês ou conselhos com a participação de empresas, a fim de que contribuam nos debates sobre demandas do mercado e da sociedade para a engenharia. É desejável estimular o envolvimento do aluno em atividades de voluntariado, nas quais tenha oportunidade de contribuir com o seu conhecimento e aprendizado em engenharia.

Valorização da formação do corpo docente
Os cursos devem manter permanente programa de formação e desenvolvimento do corpo docente, a fim de valorizar a atividade de ensino e gerar maior envolvimento dos professores com o projeto pedagógico do curso e a seu aprimoramento. As instituições de ensino devem definir ainda indicadores de avaliação e valorização do trabalho docente nas atividades desenvolvidas nos cursos de graduação.

Implementação de políticas de acolhimento
A partir da análise do perfil dos ingressantes, a instituição de ensino deve adotar, sempre que necessário, sistemas de acolhimento e nivelamento visando à diminuição da retenção e da evasão ao longo do curso, que considerem: as necessidades de conhecimentos básicos que são pré-requisitos para o ingresso nas atividades do curso; a preparação pedagógica e psicopedagógica para acompanhamento das atividades do curso; e a orientação para o ingressante visando melhorar as suas condições de permanência no ambiente de ensino.

Formação continuada
O projeto pedagógico de cada curso deve definir como serão desenvolvidas as ações de relacionamento, acompanhamento e educação continuada dos egressos no exercício profissional, visando à retroalimentação do curso e à atualização do conhecimento científico e tecnológico dos profissionais.

A reforma das engenharias e a empregabilidade

Confira o posicionamento de professores de instituições de ensino brasilienses

Abiezer Fernandes, coordenador de engenharia elétrica e da computação do Centro Universitário de Brasília (UniCeub), doutor em engenharia elétrica

;Atualmente, a engenharia civil sofre os efeitos da crise, então há dificuldade de conseguir emprego. A engenharia elétrica está um pouco melhor e a da computação oferece um nicho diferenciado, em que é possível atuar em várias vertentes. Mesmo assim, o mercado está complicado. Vários dos nossos alunos estão procurando experiências fora do país, especialmente no Canadá, por causa da dificuldade de fazer carreira no Brasil. Poucos saem da faculdade com a ideia de montar uma startup; Brasília ainda tem uma cultura forte de concurso público. A maioria dos estudantes sai do curso para tentar emprego formal, e as grandes oportunidades não estão no DF ; só que nem todos estão dispostos a se mudar daqui. A reformulação dos cursos de engenharia poderá impactar positivamente a empregabilidade dos alunos, pois chegarão ao mercado de trabalho com perfil empreendedor e não com perfil de mero empregado, podendo fazer surgir várias empresas e startups. Indicadores, como o ranking global de inovação e a quantidade de engenheiros por habitantes, impulsionam esse processo de mudança. A verdade é que o Brasil está frágil na pesquisa e nos recursos humanos para ciência e engenharia. Alguma coisa tem de ser feita. Então, a proposta vem no sentido de atualizar o cont

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