A ameaça do diabetes

A ameaça do diabetes

Em debate no Correio, especialistas alertam para a propagação da doença silenciosa, que deve ter aumento de 62% na América Latina até 2045. Eles defendem que o SUS atualize o seu arsenal de remédios com drogas mais eficientes

» INGRID SOARES ESPECIAL PARA O CORREIO » HAMILTON FERRARI » HANNA GUIMARÃES
postado em 08/08/2018 00:00
 (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)


O diabetes é uma das piores doenças da atualidade. Silenciosa, é responsável por 5% das mortes globais e cresceu no Brasil na última década. Tanto que o país se tornou o quarto com o maior número de diagnósticos. De acordo com estimativas, 642 milhões de pessoas estarão com o problema em 2040. O distúrbio foi tema do seminário ;Correio Debate ;Acesso e avanços nos tratamentos do diabetes;, que reuniu autoridades e especialistas na sede do jornal.

Além de letal, o diabetes exige gastos volumosos. Do total de despesas com saúde no mundo, 12% estão relacionadas à doença. No Brasil, são 836,3 milhões de internações custando US$ 243,9 milhões (R$ 919 milhões) por ano. Abrindo o seminário, o ministro da Saúde, Gilberto Occhi, disse que é preciso focar na prevenção do distúrbio, para diminuir a demanda e, consequentemente, o desembolso no Sistema Único de Saúde (SUS). Não à toa, 50% dos portadores de diabetes tipo 2 ; aquela que está associada à deficiência do organismo para usar adequadamente a insulina que produz ; não são diagnosticados, e 70% dos casos de internação poderiam ser evitados com a prevenção.

;Nós estamos, cada vez mais, agregando tecnologia, informações e melhorias. Cada vez mais, nós mudamos nossos hábitos e, se o SUS for capaz de fazer um diagnóstico precoce, com atendimento mais rápido na atenção básica, menos demanda nós teremos na alta e na média complexidade, que trazem um custo maior ao SUS;, ressaltou Occhi. ;A saúde é um esforço de todos. Prevenir é o melhor remédio. Não é trabalhar para curar a doença.;

A presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, Hermelinda Pedrosa, afirmou que o diabetes é considerado uma epidemia. Segundo ela, a previsão para 2045 é um aumento de 48% da doença no mundo. Na América Latina, estima-se uma ampliação de 62%.

Hermelinda explica também que o rol de fornecimento da medicação precisa mudar. Ela apontou haver um arsenal pequeno dos remédios para diabetes oferecidos pelo SUS frente ao que há disponível pela ciência. ;Entre as drogas novas se destaca a empagliflozina, que tem a capacidade de diminuir o risco de infarto e de derrame, além de promover a redução na progressão da doença renal do diabético;, ressaltou. ;Tem também a canagliflozina e as glicazidas. Elas são as melhores drogas e as mais seguras na prevenção de complicações.;

Orçamento

Daniel Zanetti Scherrer, consultor técnico do Departamento de Gestão e Incorporação de Tecnologias em Saúde (Dgits), ressaltou a importância de tratar da parte financeira das pesquisas. ;É preciso entender que o dinheiro é limitado, novas tecnologias não significam um aumento de orçamento. É preciso pensar nos custos de produção, de mão de obra, de capacitação e de outras questões;, explicou.

O presidente da Associação Nacional de Atenção ao Diabetes, Fadlo Fraige Filho, declarou que o maior avanço no tratamento da doença foi a Lei n; 11.347, que estabelece o fornecimento da medicação para o doente. No entanto, ele explicou que a medicação oferecida pelo SUS consiste em insulinas NPH e regular, que não são tão efetivas. ;Essas substâncias não têm nada a ver com o que deve ser tratado no tipo 1. Há melhores remédios disponíveis, como insulinas basais e ultrarrápidas. Há um conjunto de novos remédios, como as glifozinas. Elas têm um mecanismo de ação que permite a excreção do excesso de glicose pela urina. Com isso, reduz o risco de doenças cardiovasculares e ajuda no controle de peso e pressão;, apontou.

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