Influenciar é preciso

Influenciar é preciso

postado em 09/09/2018 00:00
 (foto: Divabética/Divulgação)
(foto: Divabética/Divulgação)

Diagnosticada aos 13 anos com diabetes tipo 1, Fabiana Couto, hoje com 38, dedica a vida a ajudar outras pessoas a entenderem e aceitarem a doença. À frente do Movimento Divabética, há 10 anos, ela criou um blog para falar, especialmente às mulheres, sobre a autoaceitação e a questão da autoestima que, muitas vezes, fica prejudicada.

;Decidi levar minha palavra e minha experiência para essas pessoas, por meio do Divabética, de uma forma mais leve e acessível, como uma pessoa em formação em psicanálise e coach;, conta.

Fabiana descobriu a doença por acaso. Como estava emagrecendo muito, tinha muita fome e sede, a mãe, que é médica, logo suspeitou de se tratar de diabetes. Comprou na farmácia um teste de glicose e descobriu que a taxa estava altíssima. ;Meus pais me levaram ao endocrinologista, que confirmou a suspeita;, relembra.

Mesmo com o suporte dos pais na questão prática, o emocional acabou por muito tempo esquecido. Apesar do diagnóstico aos 13, Fabiana só foi conhecer outra pessoa com diabetes aos 27 anos. Assim, passou anos sem ter uma referência sobre a doença. ;Na época, não era comum a existência de comunidades de pais para dar e buscar informações sobre a condição e para entender e dar esse acolhimento inicial, que é muito importante.;

Viver bem

A brasiliense Carol Magalhães, 23 anos, é estudante de nutrição e foi diagnosticada com o tipo 1 da doença aos 11 anos. Há pouco tempo, abriu uma página no Instagram para ajudar pessoas no processo de autoaceitação e de boa convivência com o diabetes.

Ela lembra que o diagnóstico nunca é fácil. Mesmo com alguns familiares diabéticos, Carol conta que a família não soube lidar com a descoberta da sua condição. Na época, era uma criança gordinha que emagreceu muito por consequência da doença. ;Como era muito nova, não tinha discernimento para saber que teria que viver com uma doença crônica para sempre.;

Embora a aceitação não seja fácil, Carol aconselha as pessoas a verem o diabetes como uma forma de mudar o estilo de vida e de autoaceitação. ;Veja a doença como uma sentença de vida, uma oportunidade de mudar hábitos nocivos para sua saúde e uma chance de conhecer seus próprios limites.;



Por dentro da doença

Confira os diferentes tipos de diabetes. O ideal é que o nível de glicose no sangue, quando em jejum, fique entre 100mg/dL e 125mg/dL.

Pré-diabetes
  • Condição em que o açúcar no sangue está elevado, mas não o suficiente para ser classificado como diabetes do tipo 2.

Diabetes tipo 1
  • É uma doença autoimune, na qual o pâncreas para de produzir o hormônio insulina. O diagnóstico ocorre em crianças e adolescentes, mas pessoas adultas também podem ser diagnosticados com esse tipo da doença.
  • Tratamento: desde o início, é necessária a aplicação de insulina para manter o índice de glicemia, ou seja, controlar o açúcar no sangue.
  • Sintomas: muita sede e vontade constante de fazer xixi; aumento do apetite e, mesmo assim, há perda de peso; cansaço; vista embaçada e infecções frequentes.

Diabetes tipo 2
  • É o tipo mais frequente. Nele, a insulina produzida pelo pâncreas não é suficiente ou não age de forma adequada para controlar a glicemia.
  • Tratamento: mudança de estilo de vida, medicamentos orais ou injetáveis.
  • Fatores de risco: obesidade, gordura abdominal e sedentarismo são sinais de alerta. Outros fatores também precisam ser levados em conta, como histórico familiar, idade acima dos 45 anos, evidência de tolerância à glicose diminuída, antecedente de diabetes gestacional, histórico de ovário policístico.

Diabetes gestacional
  • Como o próprio nome diz, ocorre no período da gravidez. Afeta entre 2% e 4% das gestantes e aumenta o risco de diabete do tipo 2.
  • Fatores de risco: idade materna avançada, ganho de peso excessivo durante a gestação, sobrepeso ou obesidade, síndrome dos ovários policísticos, histórico de bebês grande (acima dos 4kg), histórico familiar de diabetes em parentes de 1; grau, hipertensão arterial na gestação, gestação múltipla.

Fonte: ADJ Diabetes Brasil

Alerta
A Federação Internacional do Diabetes (IDF) estima que há mais de 415 milhões de diabéticos no mundo ; no Brasil, são mais de 14 milhões, o que coloca o país em 4; lugar no ranking de incidência. E a perspectiva não é nada animadora. A expectativa é de que esse número aumente para 23 milhões até 2040. Atualmente, o Brasil é responsável por quase metade de todas as mortes relacionadas a diabetes na América Latina. É importante estar atento aos sintomas da doença, além de saber os tipos de diabetes ; tipo 1, 2, gestacional e pré-diabetes. De acordo com a endocrinologista Denise Franco, cerca de 90% a 95% dos casos são do tipo 2. Entre os fatores de risco estão a obesidade e o sedentarismo.

Principais complicações
  • Doença cardiovascular (DCV)
  • Retinopatia diabética
  • Doença renal
  • Pé diabético


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