Juízes brancos são maioria

Juízes brancos são maioria

postado em 14/09/2018 00:00

O juiz brasileiro é homem, branco, casado, católico e pai. Essa foi a conclusão do Relatório Perfil Sociodemográfico dos Magistrados 2018, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O levantamento revelou que a participação das mulheres no Judiciário ainda é pequena (37%). Comparativamente com a década de 1990, porém, quando havia apenas 25%, houve avanço, apesar da dificuldade de progressão na carreira jurídica. No primeiro estágio (juiz substituto), elas são 44%. O percentual cai para 39%, entre os titulares. E despenca mais ainda entre desembargadores e ministros: 23% e 16%, respectivamente.

;É possível que haja uma dose de preconceito já que para entrar, mulheres e homens competem por meio de provas. E algumas progressões dependem de indicações. Mas, não creio que seja só isso. As mulheres ainda têm muitas atribuições domésticas e isso gera impacto profissional. De qualquer forma, é um dado que precisa ser estudado, já que a diferença pode ser observada também em outras carreiras;, diz Maria Tereza Sadek, diretora do Departamento de Pesquisas Judiciárias do CNJ. Ela ressaltou, também, como relevante ao acesso feminino, a diminuição do grau de endogenia (entrada de parentes).

Parentes


Apenas 13% dos que ingressaram após 2011 tinham familiares juízes ou desembargadores. Até 1990, 30%, no total, tinham familiares na magistratura. Atualmente, nesse ranking, a Justiça estadual sai na frente, com 21% de juízes com familiares. Na Justiça do Trabalho, são 17%, e, na Justiça Federal, 15%. Quanto mais alta a posição na hierarquia, maior a proporção dos familiares: são 14% entre os juízes substitutos, 20% entre os titulares e 30% entre os desembargadores.

O CNJ apontou, ainda, que a idade média do magistrado brasileiro é 47 anos. A maior parte (80%) é casada ou em união estável. Entre os homens, os casados são 86%. Entre as mulheres, 72%. Os solteiros são 10%; os divorciados, 9%; e os viúvos 1%. A maioria tem filhos (78%), sendo 74% das mulheres e 81% dos homens. Declararam-se brancos (80,3%), 18% negros (16,5% pardos e 1,6% pretos), e 1,6% de origem asiática. Apenas 11 magistrados são indígenas. Grande parte tem religião (82%): 57,5% são católicos, 12,7% espíritas e 6%, evangélicos tradicionais. Do total, 18% não têm religião.

A pesquisa revela, também, que 43% completaram algum curso de formação ou capacitação nos 12 meses anteriores à data da pesquisa. A Justiça do Trabalho tem maior proporção (54%), seguida da Justiça Federal (44%) e da Estadual (40%). Em 19% dos casos, a capacitação foi na área de mediação ou conciliação; em 14%, na área de infância e juventude; em 11%, na de violência doméstica contra a mulher; e em 8%, na de justiça restaurativa. Muitos (73%) também fizeram capacitação em gestão ou especialização em direito civil, incluindo atualização do novo Código de Processo Civil (CPC) e atualização no Direito do Trabalho.

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