Ar renovado com mais eficiência

Ar renovado com mais eficiência

Instalado em residências, equipamento é acionado automaticamente quando detecta a presença de poluentes e desliga, também sozinho, ao concluir a filtragem. Solução criada por cientistas americanos gasta 58% menos energia que aparelhos tradicionais

Gabriel Bandeira*
postado em 15/10/2018 00:00
Se você pensa que apenas o ar das grandes avenidas e dos centros industriais é um potencial problema para a saúde humana, está enganado. Ambientes fechados, como residências, podem ser ainda piores, com a suspensão e a concentração de partículas de poeira, bactérias, fungos e gás carbônico. Pacientes com doenças respiratórias, os asmáticos, por exemplo, podem ser impactados duplamente pela situação: ter o quadro de saúde desestabilizado e pagar por sistemas que regulem a qualidade do ar, como equipamentos de ar-condicionado.

Um grupo de pesquisadores de engenharia da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, desenvolveu uma alternativa tecnológica para amenizar o problema. A equipe criou o SmartAir, sistema que consegue renovar a qualidade do ar de um ambiente gastando 58% menos de energia que aparelhos de climatização tradicionais. A lógica consiste em funcionar de forma inteligente, apenas nos momentos em que o ambiente precisa ser limpo.

;Para controlar a qualidade do ar regularmente, muitas famílias com pacientes asmáticos usam filtros caros e deixam os ventiladores dos sistemas de ar-condicionado ligados o dia todo. Isso pode sair bem caro por conta do grande gasto energético;, diz Neal Patwari, professor de engenharia elétrica da universidade americana e um dos líderes do trabalho, apresentado, no último dia 26, na Conferência em Saúde Conectada, em Washington, nos Estados Unidos.

Para criar o aplicativo, o grupo baseou-se no funcionamento de termostatos comuns de sistemas de climatização, que ligam e desligam o aparelho a partir da temperatura ambiente. O novo sensor, por sua vez, funciona de acordo com a mensuração do nível de particulados em suspensão no ar, como a poeira. Quando a quantidade detectada ultrapassa o estipulado por órgãos de saúde, o sensor indica a necessidade de acionar o ventilador do sistema de ar-condicionado, ação executada por um software também criado pelos cientistas.

O equipamento, então, começa a funcionar e o ar é direcionado ao filtro nas tubulações da rede. Depois do procedimento de limpeza, o ar é devolvido em melhor qualidade ao ambiente. ;Como o ventilador só será ligado quando, de fato, for necessário, podemos economizar bastante energia;, frisa Patwari.

Testes

Os testes com os dispositivos foram feitos em quatro casas ; em cada uma, foram instalados três aparelhos. Todos eles foram conectados, sem fio, a computadores pequenos e de baixo custo. Os equipamentos utilizados tinham softwares que podiam funcionar de três formas: sempre ligado, com o ventilador acionado todo o dia; ligado a partir do modelo tradicional, que usa a temperatura ambiente para acionar o sistema; e ligado a partir da variação dos níveis de particulados no ar, o SmartAir.

O tipo de funcionamento se deu de forma aleatória, sendo alternado diariamente, ao longo de cinco meses. ;Os três aparelhos de cada casa seguiam um dos sistemas por dia. Todo o anoitecer, coletávamos dados diários da qualidade do ar para chegar às constatações finais;, conta Patwari.

No fim do experimento, os pesquisadores concluíram que os sistemas tradicionais, dependentes da temperatura ambiente para serem acionados, deixaram o ar 31% menos limpo, se comparados ao SmartAir. O novo dispositivo também foi mais econômico: economizou 58% do gasto com energia, quando comparado ao sistema que funcionou de forma ininterrupta.

Patwari ressalta as vantagens do equipamento para os usuários e o meio ambiente. ;Nos Estados Unidos, usar o ventilador sempre ligado custa entre U$ 30 e U$ 50 por mês. Isso é muito dinheiro. Além disso, o contínuo gasto excessivo desse equipamento exigirá mais usinas de energia elétrica, o que aumentará a poluição do ar causada pela conversão de combustíveis fósseis em energia elétrica;, pontua.

Alta frequência
De acordo com a Agência Europeia do Ambiente (AEA), em média, uma pessoa passa 90% do dia em espaços fechados, como casa, escola, locais de trabalho e loja. A agência ressalta que, nesses ambientes, estamos expostos a gases como monóxido de carbono e dióxido de azoto, responsáveis por dores de cabeça e náuseas. Por isso, investimentos para manter a qualidade de ar desses ambientes costumam fazer parte da lista de prioridades.

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