Nova estratégia de controle

Nova estratégia de controle

postado em 15/10/2018 00:00
Os gastos com aparelhos de refrigeração e limpeza de ar já foram muito maiores. Coordenador do Laboratório de Ar-condicionado e Refrigeração da Universidade de Brasília (UnB), João Pimenta ressalta que avanços tecnológicos reduziram consideravelmente o consumo energético desses aparelhos. ;A eficiência energética (de aparelhos de climatização) foi elevada a tal ponto que os sistemas consomem 50% menos energia do que consumiam algumas décadas atrás;, compara.

O especialista afirma, contudo, que problemas externos podem contribuir para aumentar o gasto de energia dessas redes. ;Se o calor a ser removido de um edifício for elevado ; o que, muitas vezes, é resultado de um projeto arquitetônico inadequado ;, não há o que fazer. O consumo de energia será também elevado;, ilustra.

Quanto à diminuição do consumo de energia a partir do sistema SmartAir, criado por pesquisadores da Universidade de Utah, o professor da UnB é cauteloso. ;De forma alguma, diria que seja a melhor maneira. Trata-se de uma estratégia de controle, entre outras. Não podemos desconsiderar outros sistemas mais ágeis, como controles modulantes, responsáveis por variar a rotação do ventilador de acordo com a demanda, e não por desligar completamente o aparelho;, diz. Nesse esquema, segundo Pimenta, gasta-se menos energia em perdas transientes, consumos energéticos dispendidos para tirar o ventilador da inércia.

Gás carbônico

Para Pimenta, a proposta da equipe liderada por Neal Patwari e equipe pode ser considerada um avanço, mas não uma descoberta definitiva, uma vez que ;os particulados são o menor dos problemas para pacientes asmáticos;. ;Existem ainda o gás carbônico, gerado a partir da nossa respiração, as bactérias, os fungos e os compostos orgânicos voláteis;, ressalta.

Diretor de Ensino e Treinamento da Associação Sul-Brasileira de Refrigeração, Ar-condicionado, Aquecimento e Ventilação (ASBRAV), Paulo Otto Beyer acrescenta o fato de redes como a proposta pelos americanos dependerem bastante do contexto. ;O SmartAir poderia funcionar melhor no interior de Goiás, por exemplo, onde o gás carbônico não é um problema. Contudo, acredito que, se fosse aplicado no centro de São Paulo, baseado apenas na presença de particulados, dificilmente acionaria o ar-condicionado;, opina.

Patwari afirma que preferiu se basear em níveis de particulados por ;suas fortes relações com as pioras em quadros de asma;. Contudo, não descarta a importância de sensores baseados em gás carbônico, fungos ou bactérias em espaços fechados. ;Ligar e desligar o sistema de ar-condicionado a partir dos níveis de CO2 poderia melhorar o conforto humano. Já a partir de bactérias e fungos, também poderíamos melhorar a saúde dos pacientes. Contudo, seriam sensores ainda mais caros;, diz. (GB)

* Estagiário sob supervisão de Carmen Souza

Para saber mais

Opção ecológica

Uma equipe de pesquisadores da Universidade Nacional de Cingapura (NUS) é pioneira na criação de um sistema de ar-condicionado que resfria o ambiente a até 18;C sem a necessidade de compressores e com redução significativa no uso de refrigerantes químicos prejudiciais ao meio ambiente. O sistema ainda gasta 40% menos eletricidade que os aparelhos tradicionais e, segundo os criadores, pode ser adaptado para todos os tipos de condições climáticas, das áreas úmidas aos desertos.

O ar-condicionado ecológico usa uma inovadora tecnologia de membrana, um material semelhante ao papel, para remover a umidade do ar. O ar desumidificado é, então, resfriado por um sistema que usa água em vez de refrigerantes químicos. Ao contrário dos sistemas por compressão de vapor, não libera ar quente, mas um ar frio comparativamente menos úmido do que a umidade ambiental. Além disso, cerca de 12 a 15 litros de água potável podem ser colhidos depois de um dia de funcionamento.

;Essa nova tecnologia também é altamente adequada para espaços confinados, como abrigos antibomba ou bunkers, onde a remoção de umidade do ar é fundamental para o conforto humano, bem como para a operação sustentável de delicado equipamentos em áreas como hospitais de campanha, blindados de transporte de pessoal e plataformas de operação de navios;, detalha Ernest Chua, líder do projeto e professor do Departamento de Engenharia Mecânica da NUS.

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