Produção independente

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Selo candango Subverso Records investe em artistas do cenário rap do DF para fortalecer a cena

Adriana Izel
postado em 15/10/2018 00:00
 (foto: Subverso Records/Divulgação)
(foto: Subverso Records/Divulgação)


A paixão pela música e a certeza do poder agregador da arte e da cultura são os motores para um grupo de artistas do Distrito Federal que resolveu colocar a mão na massa e criar o próprio selo, a Subverso Records, para produzir a música autoral e local. A iniciativa reúne Vitera, Akao, Blind, Dandara, Mush, GMS, Panda, Mica, Qnoiz, PG, Lindo e P3drin.

;Entendo que, ainda mais neste momento de crise, de tensão, de incentivo ao ódio, a arte e a cultura são vieses de conscientização cultural. A arte salva;, afirma Mateus QNoiz, um dos artistas vinculados ao selo, sobre a motivação para manter ativo um projeto como esse.

Os primeiros passos da Subverso Records se deram ainda em 2013, quando o beatmaker João Brito, mais conhecido como JWeed, se juntou a um amigo, dono do estúdio Phabrik Sound Design, com o intuito de começar a produzir vídeos de artistas da cultura hip-hop. A boa repercussão entre os artistas levou à formalização, em 2016, do selo Subverso Records. ;Foi ficando cada vez maior e mais abrangente. Hoje, temos o número máximo de artistas e profissionais filiados. Essas pessoas (filiadas ao selo) estão presentes toda semana, fazendo música, base de música, produção musical, recebendo auxílio audiovisual, além do agenciamento executivo de artistas;, revela Mano OPlantaE, administrador do estúdio Phabrik.

O selo funciona no estúdio Phabrik Sound Design, na 316 Norte, uma casa de captação e gravação de conteúdos musicais e audiovisuais, e lançou, desde o ano passado, cinco vídeos com lyrics e um videoclipe. Entre as produções estão os clipes de O alpinista, de 100$aliva, e de Além das máscaras, de QNoiz e Vitera, cada um com mais de 1,5 mil visualizações.

O vídeo de maior destaque é o lyric vídeo de Refluxo, de Vitera, com produção de JWeed. ;A iniciativa do selo é de descentralizar e aumentar os núcleos de produção independente, que já estavam em ascensão no DF, já que hoje em dia é difícil depender das grandes indústrias;, analisa Mateus QNoiz.

Com a consolidação do selo, há uma série de projetos para este ano e para o próximo. Em novembro, no Dia da Consciência Negra, está previsto o lançamento do clipe Barbie Preta, da rapper Dandara. ;Temos outros clipes já gravados e temos previsão de lançamentos, além de estarmos com uma paleta de novos sons para 2019;, completa Mano OPlantaE.

Desafios
Criar um selo independente e próprio não é tão fácil quanto parece. Para conseguir manter o projeto, o grupo tem atividades paralelas, entre elas, workshops e atividades formativas relacionadas ao mercado fonográfico que são promovidas no estúdio. ;Aqui em Brasília, percebo que existe pouca informação, além de uma burocratização do empresariamento. O investimento no começo é muito alto, porque os equipamentos são caros e o retorno é muito a longo prazo. Com esses retornos virtuais, que é algo que está dominando Brasília, são difíceis de ganhar dinheiro;, explica Mateus QNoiz.

Porém, apesar dos desafios, os integrantes do selo entendem que esse é um projeto que vale a pena. ;O que me incentiva é porque isso faz parte da minha vocação. É o que eu tenho dentro de mim. Não consigo deixar de fazer o que eu gosto e amo, apesar das dificuldades;, conta JWeed. ;Sem a música, tudo seria preto e branco;, acrescenta OPlantaE.




Trabalhos do Subverso Records em 2018

; Além das máscaras, de QNoiz e Vitera Cê acredita?, de Vitera x Mush (produção JWeed) EP Dry, de Akao x BLND (produção JWeed)

; Flow Ricky and Morty, de PANDAH

; O corre, de GMS e Mush (produção JWeed)

; 47, de Akao (produção JWeed)

; Capa rosa, de Vitera (produção JWeed) Saudade pt 2, de Mush (produção JWeed)

; Refluxo, de Vitera (produção JWeed) OG pro meu time, de GMS, Jacob e Mush

; Fumaça na Norte, de Akao e GMS (produção JWeed)



Assista aos clipes do selo Subverso Records. no tablet e no site do CORREIO




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