Febraban faz campanha para redução de juros

Febraban faz campanha para redução de juros

Rosana Hessel
postado em 05/12/2018 00:00
 (foto: José Cruz/Agencia Brasil Brasilia - 28/5/18)
(foto: José Cruz/Agencia Brasil Brasilia - 28/5/18)


São Paulo ;
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) inicia campanha para explicar a composição dos juros e apresentar propostas para que as taxas caiam. O presidente da instituição, Murilo Portugal, afirmou ontem, em almoço da Febraban, com executivos do setor e dos ministros Ilan Goldfajn (Banco Central), Eduardo Guardia (Fazenda), Grace Mendonça (AGU) e Torquato Jardim (Justiça), que o objetivo da iniciativa é envolver a sociedade no debate e incentivar a competição do setor.

De acordo com Portugal, os juros mais baixos vão ajudar a impulsionar a economia. No evento, ele anunciou que a federação lançou o livro Como fazer os juros serem mais baixos no Brasil, que faz um raio-X dos custos de crédito e discute temas polêmicos, como concentração bancária, spread (custo com vários componentes, inclusive, o lucro dos bancos), cartão de crédito e cheque especial. A publicação será distribuída, gratuitamente, nas livrarias Saraiva e Cultura, em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, além de poder ser baixada pelo site www.jurosmaisbaixosnobrasil.com.br.

;No livro, mostramos que os custos da intermediação financeira estão entre os mais altos do mundo, sendo duas vezes superior ao dos países emergentes e oito vezes maior que a média dos países desenvolvidos;, disse. ;No Brasil, os custos são mais altos, o carro é mais caro do que no resto do mundo e os juros, também;, completou. Para o presidente da Febraban, se todas as medidas do livro fossem adotadas, seria possível que o spread dos bancos brasileiros ficasse em um patamar semelhante ao de países emergentes, em torno de 4% a 5% dos custos do crédito. Atualmente, o spread médio está em 13,9%.

No encontro, Portugal fez um balanço positivo do ano, elogiou o governo Michel Temer pela melhora na economia, que proporcionou, até mesmo, o crescimento do mercado de crédito. O executivo prevê um crescimento superior a 6% do mercado de crédito em 2019. ;Mais do que o dobro do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) ou mais do que isso;.

Uma das medidas propostas no livro, de acordo com o presidente da instituição, é a adoção do cadastro positivo, cujo projeto de lei está no Congresso. ;Nos Estados Unidos, a implementação de um modelo semelhante em todo o país permitiu a redução dos juros em 40%;, explicou o executivo. Ele pretende entregar um exemplar da publicação ao presidente eleito, Jair Bolsonaro, assim que ele assumir. Os futuros ministros da Economia, Paulo Guedes, e da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, já receberam.

Em discurso no evento, Guardia reforçou a necessidade da urgência da reforma da Previdência para a continuidade do ajuste fiscal. Ele também defendeu a manutenção do teto de gastos e reiterou que o reequilíbrio das contas passa pelo corte de despesas, e não pelo aumento de impostos. ;O maior problema não é a receita, e sim as despesas;, frisou. Ao mesmo tempo, o ministro da Fazenda disse que não há espaço no momento para uma reforma tributária que reduza a carga de impostos. Ele voltou a defender a simplificação tributária, como um primeiro passo nessa direção.

Para o presidente da Febraban, a simplificação é necessária, inclusive, equiparando os impostos diferenciados para o setor bancário, que é superior ao das demais empresas privadas. Ele aproveitou para criticar a atual Lei de Falências, de 2005, que permite que os bancos recuperem apenas 15% do valor da garantia, algo que, nos países desenvolvidos e vizinhos emergentes, é superior a 60%.

A jornalista viajou a convite da Febraban




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