Boris Johnson impõe condições para Brexit

Boris Johnson impõe condições para Brexit

postado em 26/07/2019 00:00
 (foto: Jessica Taylor/AFP)
(foto: Jessica Taylor/AFP)

O novo primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, fez o primeiro discurso ante o Parlamento, na condição de chefe de governo, e apresentou suas condições para viabilizar um novo acordo de saída de seu país da União Europeia (UE). ;O acordo foi rejeitado três vezes. (;) Seus termos são inaceitáveis para este Parlamento e para este país;, declarou o premiê. A reação da UE foi negativa, com o negociador do bloco, Michael Barnier, classificando a proposta como ;inaceitável;. Johnson, um conservador que se cercou de uma guarda eurocética, reivindicou em particular ;a abolição da salvaguarda; irlandesa, destinada a evitar a reimposição de controles fronteiriços para a província britânica da Irlanda do Norte e sua vizinha, a República da Irlanda, depois do Brexit ; nome dado ao divórcio entre Reino Unido e UE.

;Inaceitável;, respondeu Barnier, utilizando o mesmo vocabulário de Johnson. ;Uma falta de acordo nunca será a opção da UE, mas todos devemos estar preparados para todos os cenários;, acrescentou. O titular da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, reiterou em seu primeiro debate com Johnson que o acordo concluído em novembro é o ;melhor e único; pacto possível. ;O presidente Juncker escutou o que o premiê Johsnon tinha para dizer, reiterando a posição da UE de que o Acordo de Retirada é o melhor e único acordo possível;, indicou uma porta-voz da Comissão Europeia, após o encontro.

Os dirigentes da UE repetiram sempre que não reabririam o acordo de divórcio concluído em novembro com a então premiê Theresa May, que se viu forçada a renunciar após o repúdio do texto por parte dos parlamentares britânicos. Ao contrário, estão abertos a mudar a declaração política adjunta ao acordo, que estabelece as bases da relação entre o Reino Unido e a UE após o Brexit.

;Preferiria sair da UE com um acordo;, afirmou Johnson, apesar de ter anunciado que tinha pedido a Michael Gove, braço-direito no governo, que preparasse o ;no deal; ; sinônimo, entre outras coisas, para o retorno dos controles de fronteiras, uma ;prioridade absoluta;. Johnson prometeu, aconteça o que acontecer, sair da UE antes de 31 de outubro, para fazer de seu país ;o lugar mais genial do mundo;, tentando afastar as previsões pessimistas em caso de ;no deal;. ;Nossos filhos e netos vão viver mais, mais felizes, gozando de melhor saúde e mais ricos.; Destacou que os cidadãos da UE residentes no Reino Unido poderão ficar no país.

Substituições
Sem ter ainda se mudado para Downing Street, onde se instalaria com a companheira Carrie Symonds, de 31 anos, o recém-chegado Johnson anunciou o viés de seu governo, desfazendo-se de grande parte da equipe de May, e nomeando para pastas-chave ;Brexiters;, como Dominic Raab, de 45 anos, que herdou a diplomacia britânica; Priti Patel, 47, nova ministra do Interior; e Jacob Rees-Mogg, 50, encarregado das relações com o Parlamento. O líder do opositor Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, denunciou um ;governo de extrema direita; e advertiu que os trabalhistas vão se opor a acordo do Brexit que não proteja o emprego, os direitos dos trabalhadores e o meio ambiente.

Corbyn convocou uma manifestação para a tarde de ontem para pedir eleições legislativas antecipadas. No entanto, a possibilidade desta consulta é pouco provável, afirma John Curtice, professor de política na universidade de Strathclyde, avaliando no Telegraph que seria um ;erro terrível para os tories; (conservadores), visto que as pesquisas de opinião lhe são pouco favoráveis.

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