Um nome a zelar?

Um nome a zelar?

Ricardo Daehn
postado em 23/08/2019 00:00
 (foto: A2 Filmes/Divulgação)
(foto: A2 Filmes/Divulgação)

Num mix entre a estética e a delicadeza do cinema de Todd Haynes (que assinou obras como Carol e Longe do paraíso), entre propostas densas de François Truffaut (morto em 1984) e a perspectiva feminista dos filmes de Jane Campion, paira o cinema da realizadora francesa Catherine Corsini.

Depois de mostrar duas paixões libertas de preconceitos, casos de Partir (2009) e de A bela estação (chamado ainda, por vezes, de Um belo verão), Corsini retrata um romance assinado pela polêmica autora sessentona Christine Angot, que, desde a publicação de O incesto (1999), insiste em esgravatar o tema do sexo entre familiares. Uma relação complexa entre mãe e filha pontua o filme estrelado por Virginie Efira (lembrada por comédias como Um banho de vida, de 2018) e Um amor à altura, de 2016).

Com direito a muita maquiagem, dada a necessidade de um envelhecimento para a protagonista Rachel, Efira encabeça a trama atravessada ainda pelo aparecimento do burguês Philippe (Neils Schneider). Numa trama permeada por enorme perversão, e ambientada nos anos de 1950, Chantal, a filha do casal que viverá às turras, desponta, aumentando a carga de embate, uma vez que Phillipe recursa assumir a paternidade do rebento.

De certa forma, na trama que se estende por mais de década, há até citação de realidade de abandono e preconceito, sentido na pele por Catherine Corsini. Segundo ela, a própria mãe de Corsini, na condição de viúva, não se viu perdoada de comentários ácidos por parte da ignorante sociedade em que viveu.

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